O secretário municipal de Fazenda, Francisco Simões, e o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld), Agnaldo Rosa, negam que a prefeitura tenha proposto à companhia a utilização de parte do dinheiro do projeto Poupalar para pagamento do funcionalismo. O assunto foi levantado na sessão de ontem da Câmara pela vereadora Elza Correia (PMDB), que disse ter recebido várias denúncias sobre esta possibilidade.
Agnaldo Rosa afirmou que tudo não passa de boato. Ele informou que a maioria do dinheiro pertencente à poupança dos mutuários – em torno de R$ 7 milhões – está depositada na Caixa Econômica Federal (CEF). ‘‘Enquanto eu estiver aqui, não sai um centavo para pagamento de funcionários. Não há a menor possibilidade de que isto aconteça, até porque este dinheiro não é meu’’, completou. Ele lembrou que este tipo de boato pode causar uma corrida dos mutuários à companhia para cancelar os contratos, o que causaria um grande prejuízo à Cohab, ‘‘que está com todas as contas em dia e documentadas’’.
O secretário de Fazenda, Francisco Simões, também negou que tenha sido cogitada a possibilidade de usar o dinheiro do Poupalar. ‘‘Jamais aceitaria isso, até porque seria uma transferência de recursos que depois teria que ter retorno. Deixo o meu cargo aqui mas não aceito isso.’’
Simões explicou, porém, que está sendo descontada mensalmente parte do dinheiro repassado pelo Governo federal à prefeitura, através do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), para pagamento de uma dívida da Cohab junto à CEF. Como a Companhia de Habitação não vinha quitando esta dívida, o governo passou a descontar R$ 700 mil por mês pertencentes ao FPM.
‘‘Há uns 20 dias, em conversa informal com o prefeito Jorge Scaff (PSB), cheguei a propor a ele que peça à Cohab para pagar parte desta sua dívida com a prefeitura, para ajudar a levantarmos o dinheiro da folha de pagamento. Ele ficou de pensar nesta possilibidade, mas nada ficou decidido.’’ De acordo com Simões, já foram descontados R$ 3,7 milhões dos recursos que seriam destinados à prefeitura, que gasta R$ 9,5 milhões por mês para pagar o funcionalismo. O secretário afirmou que ainda falta à prefeitura levantar R$ 2,5 milhões para pagar os funcionários no início do mês.
O prefeito Jorge Scaff disse desconhecer os boatos ligados ao Poupalar. Ele não descartou a possibilidade de pedir à Cohab que pague parte de sua dívida com a prefeitura, mas disse que só vai fazer isso em último caso.