Ney de SouzaLacradaFuncionários da prefeitura lacram empresa de mototáxi; notificação não foi respeitada Fiscais da prefeitura de Foz do Iguaçu começaram ontem à tarde a lacrar as empresas de mototáxi da cidade, que operam irregularmente. Até as 17 horas, duas das onze empresas do ramo haviam sido fechadas. O sistema emprega cerca de 150 pessoas - 100 motoqueiros e 50 atendentes.
Segundo o subprocurador do Município, Fabiano Costa Barros, a medida foi tomada porque o serviço é vedado pelo Código Nacional de Trânsito. ‘‘Como não há regulamentação no setor, caso haja algum acidente envolvendo mototáxi, por exemplo, a prefeitura poderá ser responsabilizada’’, disse Barros. Ele afirmou que todas as empresas foram notificadas para encerrar o trabalho e não cumpriram a ordem.
Apesar de as empresas estarem operando na clandestinidade, funcionam em salas comerciais, com letreiros na fachada. Os serviços são acionados por telefone. As viagens na cidade custam entre R$ 1,00 e R$ 3,00, dependendo da distância. Uma corrida de táxi em Foz do Iguaçu custa hoje, no mínimo, R$ 7,00.
Um projeto regulamentando os serviços de mototáxi e motoentrega foi apresentado em julho na Câmara pela vereadora Rozily Mezzomo (PPB). Ao passar pela Comissão de Redação, Justiça e Legislação da Casa, o item sobre o mototáxi foi retirado do projeto, sob a alegação de que o serviço não oferece segurança. A principal causa da derrubada do projeto foi o lobby dos taxistas, que estavam perdendo clientela com a concorrência.
A lacração das empresas foi feita ontem por três fiscais do Departamento Municipal de Serviços Urbanos, acompanhados por três guardas municipais. Até as 17 horas, foram fechadas as empresas Mototáxi Natureza - que funcionava há um mês no centro da cidade e empregava dez motoqueiros - e a Mototáxi Porto Meira, que tinha sete funcionários e operava há um mês no bairro Porto Meira.
A Folha acompanhou o fechamento das duas empresas. Na primeira - a Mototáxi Natureza -, a dona da empresa, Aldenir Dionísio, de 37 anos, reclamou que morava com o marido na sala comercial alugada para a instalação do negócio. ‘‘Agora vou morar na rua’’, afirmou.
Além de ter o negócio fechado, os donos das empresas terão que pagar multa de 50 Unidades Fiscais do Município (UFIs) - que ontem somavam R$ 19,82 - por não atender a notificação da prefeitura determinando o fechamento.
A Folha não conseguiu localizar ontem líderes dos donos de mototáxis para confirmar se o grupo pretende recorrer à Justiça contra a atitude da prefeitura.

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