A fábrica de baterias Durexcell Durexcell Ltda, instalada em Leópolis (35 Km ao norte de Cornélio Procópio), está fechada desde a última segunda-feira por força de decreto baixado pela prefeitura municipal. A empresa é acusada de estar contaminando os moradores com chumbo.
Segundo o assessor jurídico do município, Marcos Cezar Kaimen, a prefeitura solicitou exames de sangue em 30 moradores, sendo que em metade deles o resultado foi positivo para contaminação. O assessor jurídico afirma que os resultados apresentados apontam três crianças, de 5, 9 e 10 anos, com alto índice de contaminação - duas delas com 12 microgramas por decilitro (dl) e uma com 19 microgramas/dl. O índice de presença de chumbo permitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 microgramas/dl. Esses moradores residem próximos à fábrica, que pertence ao vereador Carlos Roberto Bucko, conhecido como ''Carlão da Bateria''.
A reportagem da Folha esteve em Leópolis ontem e teve acesso a laudos de exames de sangue realizados pelos próprios moradores em um laboratório particular. A Folha falou com algumas pessoas que estariam contaminadas, mas elas preferiram não se manifestar.
O processo de investigação da empresa se arrastava há sete meses. Segundo o assessor jurídico da prefeitura, a empresa funcionava regularmente, inclusive atendendo normas do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Fornecia relatórios de exames sobre a contaminação de chumbo, realizados na população com resultados sempre saudáveis. Os exames eram realizados em Cornélio Procópio.
Num dos exames, segundo o assessor, dois resultados conflitantes colocaram o município em alerta. ''Exames realizados no mesmo laboratório apresentaram índices positivos e negativos de contaminação''. Diante do conflito, a Câmara de Vereadores editou um decreto Legistlativo autorizando o fechamento da fábrica.
Uma medida cautelar no Fórum de Cornélio Procópio, que teria como objetivo principal uma ação civil pública, foi instaurada, mas a mesma ação foi solicitada pelo próprio Ministério Público (MP). A Justiça, segundo o assessor, concedeu liminar ao MP e determinou o fechamento da fábrica.
A empresa recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná e foi reaberta judicialmente. ''Paralelamente entramos com um processo administrativo para cassar o alvará de funcionamento e solicitamos os exames no HU em Londrina'', afirmou o assessor. Para evitar mais prejuizo à população, o prefeito baixou um decreto (número 139/2005), suspendendo o alvará da empresa e determinando a imediata paralisação de todas as atividades. ''Acho difícil a justiça reabrir uma empresa diante de um resultado como esse'', afirma o assessor.
A reportagem procurou o vereador Carlos Roberto Bucko, mas conseguiu conversar apenas com o advogado dele, Alexandre Magalhães. Ele informou que a empresa vai recorrer da decisão nos próximos dias. ''Estamos estudando os documentos, vamos pedir as contra-provas dos exames de laboratórios e analisar qual a melhor forma para solicitar a reabertura da empresa''.
Magalhães considera o ato ''arbitrário'' e afirma que o fechamento da fábrica foi uma atitude ''política'. ''A empresa trabalha dentro de todas as normas. Foi uma medida política, sem embasamento, mas vamos tentar reverter a situação'', afirmou.
O advogado informou que, enquanto a empresa permanecer fechada, os funcionários parados continuarão recebendo os direitos trabalhistas normalmente.
O prefeito Antônio Gonçalves estava na prefeitura ontem, mas não atendeu a reportagem. A secretária de Saúde, Fábia Regina Mendes, não foi encontrada.

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