Prefeitura fecha barracas e apreende mercadorias de camelôs
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quinta-feira, 04 de julho de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - Onze barracas que funcionavam no centro de Campo Mourão como pontos de venda de alimentos e artigos contrabandeados do Paraguai foram fechadas ontem durante ação que envolveu a Secretaria Municipal de Controle, Fiscalização e Ouvidoria, Ministério Público, Polícia Militar e Vigilância Sanitária. Todas as mercadorias foram apreendidas e as donos terão 10 dias para fazer a retirada das barracas.
''Esse tipo de comércio é ilegal'', disse o secretário de Fiscalização, Cristiano Calixto. ''Ninguém pode se fixar em praças e logradouros públicos sem a autorização da prefeitura e muito menos vender produtos contrabandeados.'' Segundo Calixto, as mercadorias apreendidas seriam enviadas para a Polícia Federal de Maringá. ''Só quem comprovar a origem do produto poderá tê-lo de volta.''
A ação da prefeitura logo no início da manhã revoltou os donos das barracas. Alguns deles trabalhavam no local há mais de 20 anos. ''Não fomos notificados. Nem sei qual o motivo que estão fechando a minha barraca'', disse, chorando, Silvana Endo de Matos. Ela contou que comprou a barraca na praça São José há dois anos por R$ 7 mil. ''Se não podia, por que a prefeitura liberou esses anos todos?'', perguntou.
Silvana afirmou que ela e o marido, que ontem estava em São Paulo fazendo compras, investiram todo o dinheiro que tinham na poupança em mercadorias para a barraca. ''Tem gente que tem raiva de pobre'', revoltou-se. No calçadão da Avenida Capitão Índio Bandeira, em frente à Secretaria do Planejamento, Valdir Augusto Primão, também teve a sua barraca fechada depois de 21 anos de funcionamento.
''Não sei o que vou fazer. Essa barraca era o meu ganha-pão'', ressaltou. Valdir calcula que perdeu cerca de R$ 10 mil em mercadorias. O promotor Inácio de Carvalho Neto, que acompanhou a operação, afirmou que o contrabando é crime e que não havia como negociar a situação. ''Não posso dar prazo para o crime'', ressaltou. Segundo a prefeitura, os donos das barracas já tinham sido notificados diversas vezes.
As barracas que vendiam salgadinhos foram fechadas porque não comprovaram a origem da carne usada nos alimentos. Eles também não tinham sanitários nem autorização para funcionar em área pública. ''Foi uma ação firme, forte, sem truculência e dentro da lei'', resumiu o secretário Cristiano Calixto. De acordo com ele, se as barracas não forem retiradas dentro de 10 dias, a remoção será feita pela própria prefeitura.


