Sid Sauer
De Campo Mourão
A Prefeitura de Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão) está fechando todos os bares da cidade que não tenham alvará e licença sanitária para o funcionamento. Somente no primeiro dia da operação, anteontem, foram fechados 32 estabelecimentos. Outros 14 já comprovadamente irregulares devem ser fechados até segunda-feira. A prefeitura tomou a medida depois de receber requerimento do promotor Marcos José Porto Soares.
‘‘A prefeitura não está fazendo mais do que cumprir a lei’’, explicou ontem o promotor. Segundo ele, ‘‘99%’ dos fatos que chegam até o fórum da cidade são provocados por esses bares. ‘‘O número de pessoas ociosas que passam o dia bebendo nesses bares é muito grande’’, disse Soares. Ele entende que os estabelecimentos clandestinos estavam colocando em risco toda a comunidade. ‘‘A cena era típica de filmes de terror’’.
De acordo com o promotor, além da falta de documentação, os bares fechados não apresentavam as mínimas condições de higiene. ‘‘Nunca havia sido feito nada nesse sentido no município’’, frisou. Soares disse que tem noção que a comunidade é pobre, mas cobrou que a Vigilância Sanitária exija ‘‘o mínimo’’ para o funcionamento dos bares. ‘‘Também não podemos prejudicar quem está trabalhando de acordo com a lei’’.
A prefeita de Barbosa Ferraz, Elza Marques Gonçalves (PFL), disse ontem que havia avisado os donos dos bares para regularizarem a situação. ‘‘Reuni todos eles há um mês e pedi que tomassem providências porque a prefeitura iria fechar quem não estivesse de acordo com a lei. Infelizmente, ninguém fez nada e não tivemos outra saída’’.
Ontem à noite Elza tinha uma nova reunião com os donos de bares para discutir a situação. ‘‘Nosso município é pobre e com o desemprego aumentando as pessoas começam a montar botecos’’, disse a prefeita. Segundo ela, os donos dos bares fechados reclamaram que não têm condições de pagar todos os impostos e taxas, o que daria uma despesa mensal de cerca de R$ 150,00. Na quinta-feira à noite, Elza chegou a reunir os cinco contadores da cidade para pedir redução na mensalidade dos bares, mas não houve acordo.
Os escritórios cobram R$ 75,00 para fazer a contabilidade de cada bar. ‘‘A prefeitura vai fazer o que for possível para ajudar esses estabelecimentos a se regularizarem’’, disse a prefeita. Ela admite, no entanto, que a medida foi importante para ‘‘moralizar’’ a cidade. ‘‘Havia muitas reclamações de prostituição, inclusive infantil, e de problemas de alcoolismo por causa desses bares’’, frisou a prefeita. ‘‘Além disso, esses bares não têm nem banheiro’’.
Segundo Elza, o problema já estava ‘‘pegando mal para a cidade’’. ‘‘Sei que a maioria dos proprietários é gente boa, mas a situação precisa ser regularizada’’, ressaltou.

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