Prefeitura faz projeto em favor de devedores
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Um projeto proposto pelo prefeito Antonio Belinati (PDT) estabelece benefícios aos devedores de impostos municipais. O projeto, que cria incentivo fiscal para a construção de empreendimentos turísticos, acabou sendo retirado de pauta ontem a pedido do líder do prefeito na Câmara, Renato Araújo (PPB), mas sua discussão já assusta pela incoerência e até suspeição.
A Comissão de Justiça, Legislação e Redação deu parecer contrário à tramitação, alegando que os vícios de gramática e de técnica legislativa o tornam incompreensível. Além disso, a Comissão argumenta que o projeto fere os princípios constitucionais de legalidade, moralidade e igualdade tributária.
A comissão transcreveu dois artigos do projeto para fundamentar a decisão, que demonstram bem como ele foi redigido de forma confusa. Um deles diz que o incentivo fiscal será concedido a pessoas físicas ou jurídicas em débito com impostos municipais de exercícios anteriores, tanto as inscritas na dívida ativa como aquelas em débito com impostos do exercício corrente. O incentivo fiscal corresponderá de (sic) até 70% do valor do imposto corrigido para o contribuinte e de (sic) até 50% para o contribuinte de impostos municipais do exercício corrente, em débito com o Município.
Os percentuais de que trata este artigo, que os empreendimentos conseguirem atrair, serão pagos diretamente aos mesmos, em troca de ações ou participações, diz o artigo. Como se vê, não dá para entender muita coisa, mas o bastante para afirmar que esses dispositivos do projeto constituem ofensa aos princípios constitucionais, diz o vereador Célio Guergoletto (PMDB), presidente da Comissão.
Ele também argumenta que, no mérito, o projeto ofende os princípios constitucionais de isonomia. Da forma como está, ele beneficia apenas os devedores dos impostos e não traz nenhum item que estabeleça incentivo para os contribuintes que pagam os seus impostos em dia. É, no mínimo, suspeito.
A assessoria técnica, legislativa e jurídica da Prefeitura, responsável pela redação e encaminhamento dos projetos, informou ontem que ainda não teve conhecimento oficial do parecer da Comissão, mas deverá voltar a analisar a matéria. A assessoria não comentou as críticas sobre erros e falta de clareza


