Prefeitura faz atendimento gratuito
Encontrar outros portadores de Aids, trocar experiências, ouvir relatos de pessoas que vivem o mesmo problema e, ainda, receber apoio psicológico. É com este tipo de terapia que muitos centros de apoio vêm conseguindo evitar que os pacientes entrem em depressão e abandonem o tratamento. A novidade é que agora, além dos grupos não governamentais, como o Dignidade e o Grupo pela Vidda e as quatro casas de apoio para internamento dos doentes, algumas unidades de saúde pública de Curitiba também estão trabalhando com grupos de apoio aos doentes.
O trabalho de apoio psicológico é feito em três unidades de saúde de Curitiba: Uberaba, Vila Verde e Vila Hauer. Aproximadamente 250 pessoas entre 14 a 70 anos são atendidas individualmente, sem necessidade de agendar horário. Além de conversas com os responsáveis pelas unidades, eles têm reuniões em grupo. Os mais antigos, são ainda convocados pelas equipes médicas para ajudar aqueles que descobrem ser portadores do vírus.
É este o caso de A.R., 29 anos, casada e três filhos, infectada em 1986 provavelmente em função de uma transfusão de sangue. ‘‘Quando a pessoa é preparada, tudo fica mais fácil’’, diz. Ela tem mais quatro pessoas na família infectadas pelo vírus - o marido, um filho, irmã e cunhado - e frequenta há algum tempo a Unidade de Saúde Uberaba.
Segundo a enfermeira responsável pela implantação do programa na Unidade de Uberaba, Grizeldi Colla, os grupos de apoio são fundamentais para quem descobre que é soropositivo. ‘‘Na maioria das vezes o paciente poderá contar somente com o apoio da equipe médica porque a família não sabe ou não aceita a situação.’’
‘‘Nós, portadores, aceitamos, mas a família só finge que aceita’’, diz A.R. Outra portadora, V.N., 34 anos, conta que um familiar chegou até a ferver um copo em que ela havia bebido água. ‘‘Eu me arrependi de ter contado’’, diz.
Grizeldi também aconselha e encaminha os pacientes suspeitos para fazerem o teste da Aids. Foi assim que, há três meses, M.D.R., 34 anos, casado, uma filha de um ano e quatro meses descobriu que era soropositivo. ‘‘O desepero vem mesmo, e tem sido muito importante ter alguém que entende e que mostra que a Aids não é um bicho de sete cabeças’’, diz.
Na Unidade de Saúde Uberaba, o grupo é formado principalmente por jovens entre 14 e 25 anos, a maioria usuários de droga. Já na Unidade de Vila Verde, a maioria tem mais de 25 anos e a contaminação aconteceu por relação sexual. Entre o grupo de 40 pessoas atendidas na unidade, sete são gestantes que descobriram ser soropositivas através de exames feitos pelo programa Mãe Curitibana. Estas mães recebem tratamento gratuito, reduzindo radicalmente a possibilidade de que os bebês nasçam com a doença. A Unidade da Vila Hauer tem o maior grupo, com 165 pacientes, com idade e perfil variados.

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