A procuradoria jurídica da Prefeitura de Maringá está estudando uma forma de garantir o atendimento a pacientes do SUS, quando não foram confirmadas vagas em hospitais credenciados à rede pública. A medida, cobrada pelo prefeito José Cláudio (PT), tenta evitar a revolta de familiares de pacientes, como aconteceu no último fim de semana. Parentes do ambulante Antônio Cerri Canchilheri, 58 anos, ameaçam cobrar da prefeitura os gastos com consulta e internamento dele em hospital particular, depois de não conseguir vaga pelo SUS.
A irmã dele, Lindaura, lembra que durante a campanha, José Cláudio prometeu ressarcir as despesas de pacientes que não tivessem atendimento pelo SUS. ''Agora queremos receber o que gastamos'', afirma. Canchilheri sofreu dois enfartos entre quinta e sexta-feira passada, e sem vagas nos hospitais credenciados, a família pagou R$ 5,1 mil para garantir um leito de UTI. O assessor jurídico da prefeitura, Alaércio Cardoso, diz que é o segundo caso de familiares ameaçando cobrar as despesas.
Mas assim como aconteceu na primeira vez, até ontem a prefeitura ainda não havia recebido nenhum pedido de ressarcimento. ''Estamos abertos ao diálogo'', avisa Cardoso, lembrando que juridicamente não existe amparo que garanta o pagamento. ''O que vamos fazer é estudar mecanismos legais para município atender este tipo de ocorrência'', avisou. Ele acha que é possível atender os casos de emergência onde não houver disponibilidade de leitos. ''Desde que exista um procedimento legal'', lembra.
O que não pode ocorrer, segundo Cardoso, é o paciente simplesmente procurar um hospital particular e depois ir à prefeitura para receber as despesas. ''Assim ninguém vai pagar nem plano de saúde'', diz. O que pode ser viabilizado, explica, é o paciente ser encaminhado a um hospital privado por profissionais da rede pública. Desde que não exista vaga na central de leitos e o caso exija urgência no atendimento. ''Mas tudo isso ainda está em estudos'', adianta.

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