Curitiba - A mais ousada proposta política da administração do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), corre o risco de não sair do papel. Ontem a prefeitura confirmou que o banco japonês Japan Bank of Internacional Cooperation (JBIC) suspendeu o empréstimo de parte da verba de US$ 343,3 milhões necessárias para viabilizar o projeto. A assessoria da prefeitura informou, no entanto, que o prefeito só vai se manifestar oficialmente sobre o assunto hoje.
A implantação do metrô em Curitiba era uma das principais bandeiras políticas do último ano que poderia neutralizar o desgaste vivido pelo prefeito desde o final do ano passado, quando começaram as investigação de um suposto caixa dois na campanha de Cassio Taniguchi. Com a desistência, a prefeitura terá que estudar outras alternativas de financiamento e correr contra o tempo para tentar dar uma outra perspectiva ao projeto para que ele posssa ser implantado.
O prefeito via na implantação do metrô a possibilidade de estimular o crescimento comercial na BR-116 e, ao mesmo tempo, investir em melhorias nas vias estruturais. O sistema a ser adotado aproveitaria o eixo da BR-116, utilizando uma via elevada para a sua implantação. Mas o traçado anunciado era motivo de polêmica, já que estudiosos apontavam que o trecho não iria atender a demanda de usuários.
Como Cassio não se manifestou ontem, ainda não foi revelado se a proposta inicial terá que ser modificada em função da desistência do governo japonês e se já existem outros possíveis financiadores para o projeto. Ou ainda se o prefeito vai recuar e desistir da implantação.
Continua nebuloso também o motivo que levou à desistência do banco japonês. Segundo informação de Cassio à imprensa a culpa pela inviabilização do financiamento seria da burocracia brasileira, que demorou para dar o aval necessário à contratação do empréstimo. Nesse tempo, o fundo que repassaria o dinheiro teria se esgotado.
O governo japonês havia acenado a possibilidade de financiamento ainda em 1999. Em maio deste ano, Cassio viajou para o Japão para negociar pessoalmente com o JBIC. Ele integrou a comitiva do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que representa o governo brasileiro nas negociações com os organismos financeiros japoneses. O financiamento corresponderia a primeira etapa de implantação do metrô curitibano e o governo federal iria assumir 80% do valor do financiamento. Parte do montante seria destinado à empresa executora para compra do material rodante. Os 20% restantes correspondem à contrapartida da Prefeitura de Curitiba.

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