Prefeitura 'esquece' áreas verdes
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Enquanto a Prefeitura de Londrina luta na Justiça para reabrir a Rua Piauí e repaginar o Bosque Marechal Cândido Rondon, outras áreas verdes espalhadas pela cidade parecem esquecidas pela administração municipal. Levantamento da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) aponta que existem pelo menos sete matas em áreas públicas na zona urbana: cinco na Zona Norte, uma no Centro e outra na Zona Sul. A reportagem percorreu três desses espaços e constatou que a falta de conservação é um problema comum. Frequentadores e vizinhos dessas localidades também não poupam críticas às condições das áreas de lazer e de preservação ambiental.
Um exemplo da falta de conservação é a mata existente no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte). O local conta com uma trilha de cerca de 200 metros, mas o trecho está sem iluminação. ''Eu corto caminho para ir da minha casa à creche, mas passar por aqui à noite não dá, é muito escuro'', reclama a vendedora Cintia Michelli Cesar.
Embora placas alertem para a proibição de jogar lixo no local, há bastante sujeira ao lado da trilha, até restos de materiais de construção. Algumas grades foram arrebentadas e, segundo vizinhos, é frequente a presença de usuários de drogas no local. ''Não tem condições de passar por dentro dele (bosque), dá medo. Muita gente vem aqui para usar drogas'', afirma o auxiliar de produção André Luiz Marques da Silva. Ainda assim, moradores do bairro mantêm uma horta comunitária no bosque.
A mata do Jardim Primavera (Zona Norte) também é cercada, mas moradores colocaram uma escada no local para ter acesso à área. Além de árvores nativas e exóticas, o espaço conserva pés de mamão, banana e milho. Há até criação de galinhas na mata pública.
O bosque não conta com áreas de passeio e de lazer. ''Jogavam muito lixo, entulho e até animais mortos lá dentro. Foi bom ter fechado porque agora ninguém mais faz isso'', elogia o pintor Fabio Lucas.
Na Zona Sul, a pista de caminhada da Lagoa Dourada está tomada pelo mato. Em alguns pontos a trilha composta de brita praticamente desaparece, reflexo da falta de conservação. O local conta com novos postes de iluminação, mas nem isso atrai frequentadores.
Os frequentadores mal conseguem enxergar o espelho d'água em virtude da quantidade de taboas. ''Antes a gente via a água, a paisagem era bonita. Agora só tem mato'', reclama o operador de máquinas Celso Souza.
Há materiais de construção jogados pelo vale, além de rejeito residencial. ''As pessoas vêm de longe e aproveitam a noite para jogar lixo aqui'', critica a professora Albertina Krawulski. Ela morou por quase três décadas na capital paulista e escolheu viver na região em virtude da extensa área verde. No entanto, já se mostra arrependida. ''Morei 27 anos em São Paulo e sempre sonhei em ter algo verde por perto de casa. Londrina tem tantas áreas verdes, mas o poder público não conserva. Isso deveria ser um lugar lindo se houvesse cuidado por parte dos órgãos competentes.''
O diretor técnico da Sema, Paulo Dolibaina, admite erros, mas também responsabiliza a população pelos problemas. ''A gente procura fazer atividades de conscientização sobre a importância da mata, mas geralmente as pessoas não têm interesse ou vontade de contribuir'', aponta.


