Prefeitura espera apoio da comunidade
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sábado, 23 de junho de 2001
Betânia RodriguesDe Londrina 
O otimismo impera nas ações de limpeza e revitalização do Lago Igapó 2 em Londrina. O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) Luiz Eduardo Cheida e o secretário municipal de Obras Luiz Carlos Bracarense esperam o apoio da comunidade para realizar o trabalho. Mexer com o Lago Igapó é como mexer numa caixa de abelhas. Ele é um patrimônio cultural da cidade e sua relação com o londrinense é quase filial, comentou Cheida.
Paralelamente ao desassoreamento do Igapó 2, arquitetos, engenheiros e biólogos voluntários estão elaborando o projeto de saneamento do seu entorno. A intenção da AMA é transformar a área num novo ponto de lazer próprio para passeios de pedalinho, caiaque e pescaria. Isso inclui a instalação de bancos, floreiras, ciclovias, pistas de caminhada, iluminação e plantio de árvores nativas. Na opinião do ambientalista e diretor da Organização Não-Governamental (ONG) Patrulha das Águas, João Batista Moreira Souza, a demolição da barragem entre o Igapó 1 e 2 tornaria o projeto mais eficiente. Dessa forma as embarcações poderiam passar livremente por baixo da ponte e o movimento das águas diminuiria a sedimentação de resíduos, justificou.
A estimativa do presidente da AMA é que o projeto de revitalização esteja concluído em 30 dias. Até lá, Cheida acredita que a prefeitura já terá definido a empresa que desassoreará o lago num prazo máximo de dois meses. Sua previsão é que dali saiam cerca de 10 mil caminhões de terra. Existem vários empresários dispostos a prestar qualquer tipo de ajuda. É impressionante o entusiasmo das pessoas quando o assunto é o Igapó. Pena que elas ainda não tenham a consciência que o lixo jogado nas ruas também polui o lago, acrescentou.
Segundo João Batista, 90% do sedimento que assoreou o centro do Igapó 2 veio pelas águas do Córrego Água Fresca. Ele diz que mais da metade desse material é lodo produzido na estação de tratamento da Sanepar localizada na Avenida Juscelino Kubitscheck. É um processo que acontece há mais de 40 anos e que diminui a profundidade da água em cerca de três metros, afirmou.
A necessidade de preservação do lago como um todo ficou mais evidente para a população a partir do esvaziamento do Igapó 2. A exposição do leito do lago mostrou que o cartão-postal da cidade virou um depósito de lixo. Para Cheida, a limpeza da área é mais do que uma questão de embelezamento, trata-se da saúde e segurança da comunidade. Já estávamos discutindo o assunto antes mesmo da posse, mas a reforma na barragem da ponte fez com que adiantássemos os planos. Se continuarmos nesse ritmo, a obra será concluída no final deste ano.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) disse através de sua assessoria de imprensa que a recuperação do Igapó 2 será um ganho não só para os moradores da redondeza mas para toda a cidade. Apesar de não ter previsão de gasto, Micheleti confirma a necessidade de parcerias. Na próxima semana, a secretaria de Obras vai divulgar o orçamento para a reforma da barragem e desassoreamento do lago.


