Prefeitura entra na Justiça contra creche
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Procuradoria Geral do Município de Londrina protocolou na tarde de ontem, no Fórum de Londrina, uma ação pedindo o ressarcimento de toda a soma de recursos repassados ao Centro de Educação Infantil Menino Jesus (Cemeje), localizado na Vila Izabel (Zona Leste), entre os anos de 1997 a 2002. A soma integral dos repasses chega a R$ 234.438,21 e uma auditoria interna na entidade já comprovou irregularidades fiscais no valor de R$ 67.412,37.
O procurador geral do município, Carlos Roberto Scalassara, declarou que figuram na ação a ex-presidente da entidade, Itamar Kedma Helene Alves, e as ex-tesoureiras Cristiane da Silva Leal e Luzia Lucia Furtado de Souza. A ação, segundo ele, além de pedir o ressarcimento dos danos por atos de improbidade administrativa, também requer a indisponibilidade dos bens das pessoas citadas, a suspensão dos direitos políticos e a condenação por danos morais ao município, cujo valor deverá ser determinado pela Justiça. ''Houve danos porque a creche recebe recursos públicos e é como uma extensão do poder público'', justificou o procurador.
De acordo com o procurador, as irregularidades apontadas pela auditoria referem-se a recibos sem comprovação do pagamento, falta de prestação de contas e desvio de finalidade, utilização de recursos em compras de produtos para uso pessoal e até pagamento de contas de bar. Notas fiscais da entidade, segundo a assessoria do Executivo, continham discriminação de ítens como tintas para cabelo, absorventes, shampoo, anticoncepcionais, cigarros, chocolates e até camarão.
O município interveio na creche no ano passado, depois de reclamações feitas pela Associação Amigos dos Bairros Jardim Alemanha, Chácaras e Vila Romana e as ex-diretoras já respondem à uma ação judicial. Segundo Scalassara, existem outras três ações por irregularidades encontradas em creches de Londrina tramitando em 1 instância.
A reportagem da Folha tentou contatar as ex-diretoras citadas na ação, mas nenhuma delas foi localizada. O advogado que defende a ex-diretora da entidade também não foi localizado para comentar o assunto.


