Poucos dias após ter seu projeto apresentado, o Centro de Detenção Provisória de Londrina já está sendo motivo de polêmica. Ontem, representantes da prefeitura declararam que a intenção do Executivo é que o prédio seja construído na zona sul da cidade. A proposta entra em choque com a opinião do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, que, durante anúncio da obra, na semana passada, havia afirmado que o ideal seria o Centro ser erguido na zona oeste.
O secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva (PSDB), disse ontem que há uma área, nas proximidades da Casa de Custódia de Londrina (CCL), na zona sul, reservada para a obra. ''Esse espaço está disponível desde a época de construção da CCL (inaugurada há dois anos). Está descartada a hipótese de que o Centro vá para a zona oeste'', afirmou Silva, defendendo que esta é a posição oficial do prefeito Nedson Micheleti (PT).
O juiz da VEP reafirmou ontem a idéia de que o Centro seja construído na zona oeste. ''Esta é a região mais problemática na questão da segurança atualmente em Londrina. A experiência mostra que a circulação de policiais e viaturas próxima a casas de detenção diminui a criminalidade'', justificou Valle.
Ao saber dos argumentos do juiz, o secretário de Governo rebateu que a segurança na zona oeste poderia ser garantida por policiais deslocados da guarda da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e da CCL. A proposta irritou Valle. ''Isso não existe. Quem vai fazer a guarda nestes presídios?'', rebateu o juiz. Silva, por sua vez, disse que a guarda nas duas casas poderia ser terceirizada.
Valle achou estranho quando foi informado sobre a existência da área reservada nas proximidades da CCL. ''Desconheço esse local. Mesmo que ele exista, sou contra a instalação de novas casas de detenção na região da CCL'', afirmou. ''A própria Casa de Custódia enfrenta problemas na captação de água potável. Não é o local apropriado. Além disso, não é recomendável que haja proximidade entre presídios'', explicou o juiz.
O secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Aldo José Parzianello, afirmou ontem que prefere que o Centro seja construído na zona oeste. ''Além de aliviar a lotação dos distritos policiais, que é o objetivo principal, a obra traria um benefício a mais, ao diminuir a incidência da criminalidade nesta região. Pretendo entrar em contato com o prefeito ainda esta semana para que seja encontrado um denominador comum'', disse Parzianello.
Valle informou ontem que também pretende conversar com Nedson até o final da semana. O Centro de Detenção Provisória terá capacidade para 350 detentos e suas obras devem custar cerca de R$ 2,5 milhões.
Na sexta-feira, o secretário municipal de Gestão Pública, Gláudio Renato de Lima, levantou uma lista de 14 áreas que poderiam receber o Centro de Detenção 11 na zona oeste e 3 na zona sul. Questionado, Silva disse que Lima provavelmente não sabia da intenção do prefeito de que a obra fosse realizada na zona sul.

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