Prefeitura e polícia vão fechar 15 mocós na área central
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari Rosa
Arquivo Folha
AçãoReunião realizada ontem (foto de cima) definiu estratégia de guerra para acabar com a ocupação de prédios abandonados em Curitiba. Em setembro Folha denunciou que ocupação de casas no Batel (foto de baixo) elevou o número de assaltos no bairro
A Prefeitura Municipal e as polícias militar e civil prometem iniciar, ainda este mês, uma estratégia de guerra para acabar com a ocupação de casas abandonadas em Curitiba. A partir da próxima semana, a Secretaria de Urbanismo, a Fundação de Ação Social (FAS) e a Secretaria da Criança e do Adolescente começarão a retirar as pessoas que vivem nestes locais e a notificar os proprietários das casas. Os menores serão transferidos para unidades de apoio a crianças carentes e os adultos deverão ser detidos pela Delegacia de Ordem Social.
Segundo um levantamento feito pela Secretaria de Urbanismo, existem aproximadamente 15 mocós na região central de Curitiba, a maioria ocupada por usuários de drogas - principalmente cola de sapateiro e crack. Com o tempo, segundo o diretor do Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo, Valdir Ulbrich, as casas acabam tornando-se ponto de encontro e esconderijo para assaltantes que atuam nas redondezas.
No início de setembro, a Folha já havia publicado reportagem mostrando que cinco residências abandonadas, todas situadas no Batel, transformaram o bairro em uma das regiões com maior índice de assaltos da cidade. Desde que a denúncia foi publicada, no entanto, nenhum dos imóveis foi desocupado pela prefeitura.
Ontem, representantes das secretarias de Urbanismo e da Criança, do Poder Judiciário e da Polícia Militar estiveram reunidos para definir a estratégia de ação. Além da retirada dos invasores, a Secretaria de Urbanimo pretende pressionar os donos dos imóveis para que fechem imediatamente os acessos às casas. Esta é a única maneira de manter os ocupantes afastados, diz o diretor de Fiscalização. Hoje, cada vez que um destes imóveis é desocupado pela Polícia Militar, os invasores voltam a ocupá-lo assim que os policiais se afastam do local. É uma tarefa completamente inútil, afirma.
A notificação aos proprietários exigirá, além do fechamento dos acessos, a demolição dos imóveis que estejam em más condições de conservação. Casos os donos das casas não entrem em contato com a prefeitura para resolver o problema, eles serão multados e terão de pagar as obras de fechamento de portas e janelas.
Atualmente, o prazo legal para que os proprietários iniciem o fechamento dos acessos é de 30 dias após o recebimento da notificação, prorrogáveis por mais 30 dias. A partir desta semana, a Câmara Municipal de Curitiba analisa proposta de alteração desta lei, diminuindo o prazo para apenas dez dias, sem possibilidade de prorrogação. A proposta deverá ser votada pela Câmara em caráter de urgência.


