Cerca de 500 pessoas do assentamento Ireno Alves dos Santos invadiram ontem a prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu (125 km de Guarapuava). Os assentados montaram acampamento no saguão da prefeitura e prometiam ficar no local por tempo indeterminado, até que uma série de reivindicações sejam atendidas.
Eles pedem ainda que o prefeito de Rio Bonito, Leonel Schimitt (PMDB) assine um documento se comprometendo a solucionar os problemas do assentamento nas áreas de saúde, educação, estradas e abastecedouros comunitários.
Segundo informou a secretaria geral do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de Cantagalo (80 km a oeste de Guarapuava), houve uma série de audiências com o prefeito e a direção do acampamento. O MST acusa Schimitt de ser autoritário e não cumprir com as promessas feitas nas reuniões.
‘‘Esta não é a primeira vez que os trabalhadores rurais precisam ocupar a prefeitura por causa do autoritarismo do prefeito’’, justificou a secretaria geral do MST.
Pela manhã, cerca de 250 pessoas se reuniram na prefeitura, ameaçando invadir o local. À tarde, duas carretas chegaram com o restante dos trabalhadores e foi iniciada a invasão. A polícia ainda tentou evitar a entrada no prédio, mas eram apenas 15 homens contra os quase 500 assentados. No momento da invasão a porta de vidro da entrada da prefeitura foi quebrada.
Além de integrantes do MST, participaram também da invasão famílias que estão acampadas às margens da BR-158, próximo de Laranjeiras do Sul.
Até o final da tarde, a prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu não tinha se manifestado sobre a invasão ou tomado alguma atitude para esvaziar o prédio. Segundo o chefe de gabinete Odair Galera, o prefeito não estava na cidade e não havia sido localizado.
Entre as reivindicações, os assentados exigem a presença de representantes do Ibama, IAP, Incra, SEED e SEAB para solucionar os problemas do assentamento. Para a prefeitura, eles pedem a construção de salas de aula para atender 600 estudantes, entre os mais de 1,2 mil que moram no assentamento e não frequentam escolas por falta de transporte.
Os invasores alegam que o assentamento fornece madeira e mão-de-obra mas as obras seguem em ritmo muito lento. Eles pedem mais linhas de ônibus para o transporte escolar.
Na área da saúde, eles reivindicam atendimento de qualidade dentro do assentamento, alegando que o posto local não fornece número suficiente de consultas e há dificuldades para deslocamento de pacientes para outros locais. Também é reivindicada a construção de, no mínimo, 100 quilômetros de estradas na área do assentamento e melhoramento dos cerca de 200 quilômetros já existentes. E pedem ainda a construção de 10 abastecedouros municipais
Os invasores exigem o reconhecimento da direção do MST como representantes dos assentados para a discussão e encaminhamento de reivindicações e que os órgãos oficiais de governo não interfiram na organização do assentamento. Mas querem a criação de um conselho com membros do assentamento, MST e órgãos públicos. Este conselho teria acesso às informações sobre recursos e obras destinadas ao assentamento.

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