Embora tenha sido a primeira cidade a adotar o programa de reciclagem de lixo no País,Curitiba evoluiu muito pouco no tratamento do lixo hospitalar. Das 23 toneladas de resíduos produzidos por dia, uma tonelada é incinerada e 22 são lançadas na vala séptica na Cidade Industrial. Desse total, 31%, ou seja, sete toneladas, são de lixo comum que poderia ter outra destinação, a de reciclagem inclusive. ‘‘Isso significa custos maiores para a prefeitura e prejuízo ao meio ambiente’’, diz Luiz Celso Coelho da Silva, gerente de coleta do Departamento de Limpeza Pública da Prefeitura.
A gigantesca vala séptica na CIC, aberta em 1989 e com 92 mil metros quadrados, tem apenas mais um ano de vida útil, segundo Luiz Celso. A prefeitura não decidiu o que fará no futuro com o lixo considerado de alto risco de contaminação e cuja produção aumenta de 3% a 4% ao ano. ‘‘Os hospitais não se envolveram com o problema. Chegamos a tal ponto que agora eles terão de correr contra o tempo’’, diz. Segundo ele, antes de o Conselho do Meio Ambiente (Conama) interceder no caso do lixo hospitar (leia matéria ao lado) havia desinteresse por parte dos hospitais em tratar com mais cuidado os resíduos infectados.
A prefeitura praticamente descarta a possibilidade de destinar nova área para jogar o lixo hospitalar e deve recorrer à tecnologia. ‘‘Temos vários estudos e a vala é tecnicamente inviável. A próxima investida será a adoção de tecnologia e os hospitais terão de pôr a mão no bolso’’, avisa Luiz Celso.
Até 1994 nenhum dos 320 estabelecimentos de saúde de Curitiba (hospitais, clínicas odontológicas e postos de saúde) fazia sequer a separação do material contaminado. O quadro só mudou depois que o Departamento de Limpeza Pública sugeriu a coleta diferenciada e passou a dar cursos de coleta e separação em alguns hospitais interessados. ‘‘Tivemos muita dificuldade de convencer os hospitais’’, conta Luiz Celso. Hoje, 42 estabelecimentos participam do plano de gerenciamento de lixo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Ainda neste ano, 69 hospitais de médio e grande porte estarão incluídos no programa, diz o gerente do Departamento de Limpeza Pública. Hoje, hospitais como o Evangélico e o Hospital de Clínicas ainda põe no mesmo saco o lixo comum e o contaminado. Eles entraram no programa este ano. ‘‘Encontramos muito placenta e bolsa de sangue misturado com restos de comida da lanchonete dos hospitais’’, diz Luiz Celso. Com isso, o volume de material contaminado aumenta muito e tudo vai para a vala séptica.
Também prevalece a falta de consenso entre a prefeitura e os hospitais quanto à responsabilidade do lixo hospitalar. ‘‘O poder público está se esquivando e quer passar a responsabilidade para os hospitais, que já pagam impostos muito altos pelos serviços’’, defende o vice-presidente da Federação dos Hospitais no Paraná, Renato Merolli. Ele afirma que os hospitais estão dispostos a investir em tecnologia para dar melhor destinação ao material contaminado, mas para isso terão que obter financiamento para a compra dos equipamentos.
‘‘Se até agora fizemos pouco em termos de lixo hospitalar é porque estamos empenhados em manter os hospitais em funcionamento’’, diz Merolli. Ele nega que haja desinteresse das instituições em cuidar melhor do lixo produzido e culpa o governo federal pelo pouco investimento dos hospitais nesse aspecto. ‘‘Se o Sistema Único de Saúde (SUS) pagasse melhor pelos procedimentos teríamos como investir na qualificação dos serviços e dos profissionais’’, avalia.

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