Prefeitura é acusada de doar área de preservação Giovani Ferreira De Curitiba Produtores rurais do município da Lapa estão denunciando que a prefeitura local desapropriou uma área de preservação ambiental para a instalação de uma serraria. O procedimento teria sido ilegal, uma vez que o terreno desapropriado e doado a um grupo empresarial trata-se de um manancial e encontra-se dentro da micro-bacia do Rio Calixto. Os agricultores procuraram o Sindicato dos Produtores Rurais da Lapa, que está encaminhando a denúncia aos órgãos competentes. As normas para a preservação e conservação do Rio Calixto, manancial que abastece a cidade, estão regulamentadas pela Lei 1418, de 25 de setembro de 98. A área de 157.905 metros quadrados foi desapropriada pelo valor de R$ 100 mil em 31 de janeiro deste ano. A Inbrapinus, empresa que irá construir a serreria no local, já iniciou a limpeza do terreno e pretende começar as obras, de acordo com cronograma pré-estabelecido, no próximo dia 1º. Na semana passada homens e máquinas começaram a derrubar diversas árvores no local. Entre as espécies derrubadas estão várias araucárias. Em nome dos agricultores da região, o sindicato está trabalhando e levantando subsídios no sentido de conseguir a suspensão da doação dessa área para o setor industrial. O caso foi parar na Associação do Meio Ambiente de Araucária (Amar), que durate o dia de ontem realizou uma vistoria na área desapropriada. Na próxima semana a direção da entidade, que apesar de estar sediada em Araucária atua em toda região, deve encaminhar a denúncia para a Promotoria de Estado do Meio Ambiente. Os agricultores que estão fazendo a denúncia cobram do município o cumprimento das regras estabelecidas pela lei de preservação do manancial. A principal reclamação diz respeito às restrições que os agricultores são submetidos por trabalhar na área de preservação, mas que não estão sendo aplicadas para a instalação da serraria. A reportagem da Folha procurou a Prefeitura da Lapa para obter a versão do município, mas as pessoas contactadas não retornaram as ligações. O documento de desapropriação da área, assinado pelo prefeito Miguel Batista, revela que o terreno em questão está dentro do projeto de ‘‘ampliação do zoneamento industrial do município’’.

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