Prefeitura deve viabilizar área para ocupantes de terreno
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de agosto de 2015
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
Sem entrar nos detalhes, o prefeito Alexandre Kireeff disse ontem que a administração irá viabilizar uma área na zona leste para moradias destinadas às famílias que ocupam o terreno no Jardim San Fernando, pertencente ao Lions Club. Ele evitou falar em prazos, mas confirmou que o objetivo é apresentar o local para que as famílias construam seus imóveis.
Como justificativa para a baixa abertura de novas vagas para atender a fila da casa própria, o prefeito citou a suspensão de financiamentos da Caixa Econômica Federal (CEF) para o programa Minha Casa, Minha Vida. "Nós estamos trabalhando no sentido de criar alternativas a esse momento difícil que o Minha Casa Minha Vida vive, com projetos de loteamentos populares com a possibilidade do próprio beneficiário fazer um investimento com a construção do próprio imóvel", disse Kireeff.
A Justiça já determinou, liminarmente, a reintegração de posse em favor do Lions Club. No terreno ocupado por cerca de 60 famílias, está prevista a construção do Centro de Apoio a Pacientes com Câncer (CAPC). Segundo Kireeff, "o processo de reintegração de posse precipitou a sensação de insegurança dos ocupantes da área, mas os trabalhos (para regularização) estão sendo feitos".
O advogado das famílias que ocupam o terreno, William Cantuária da Silva, afirmou que também houve a promessa por parte da administração municipal de realocação de 23 famílias em conjuntos habitacionais. Mas o que o preocupa mesmo são as outras 43 famílias que ainda não têm para onde ir. "Não há nada concreto para eles e não há previsão de que eles consigam algo logo", afirmou Silva.
O advogado ressaltou que "a desocupação do espaço sem que haja a preocupação de oferecer um lugar que sirva de abrigo pode criar um problema social pior que o da ocupação do terreno". "Se outra área for disponibilizada, eles pretendem construir com recursos próprios. Eles não querem nada de mão beijada", garantiu.
Silva afirmou que nem vai entrar no mérito da doação do terreno realizada pela prefeitura, feita há 30 anos. Ele apontou que nesse período nada foi edificado por lá. "Não quero entrar nesse mérito, se o objetivo da doação foi atendido ou não. Da mesma forma que essa entidade filantrópica tem o direito de solicitar a doação do terreno, essa famílias também reivindicam um terreno para eles", argumentou.
Ele acrescentou que o grupo não tem recursos para fazer a mudança para outra área. "Não há caminhões para transportar os bens deles. Estou conversando com o juízo da 6ª Vara Cível solicitando um prazo razoável para que tudo seja feito pacificamente, sem uma reintegração de posse violenta, mantendo o diálogo. Acredito que esse prazo pode ser em torno de 60 dias", apontou.(Colaborou Vítor Ogawa)


