Prefeitura demite médico por atos libidinosos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O médico Raul Pedro Dal Col Filho, contratado como servidor público da Prefeitura de Londrina, foi demitido por meio de decreto no dia 22 de agosto de 2002, publicado na última edição do Diário Oficial do Município. Um processo administrativo da Secretaria Municipal de Saúde, aberto em dezembro do ano passado, investigou denúncias de pacientes que afirmavam que Dal Col praticou ''atos libidinosos'' durante realização de exame ginecológico. O médico também foi acusado de não ter pedido exames laboratoriais importantes e de prescrever medicamentos indevidos para uma paciente.
Segundo o secretário de Sa© úde, Sílvio Fernandes, o médico foi julgado segundo os princípios do estatuto do servidor, que prevê pena de demissão por motivo de ''incontinência pública e escandalosa''. ''A Comissão Processante achou por bem sugerir a penalidade mais grave'', disse o secretário.
Procurado pela reportagem, Dal Col disse que pretende falar com a imprensa sobre o assunto só depois de consultar seu advogado. Porém disse que está sendo vítima de injustiça. ''Pessoas não-idôneas, não sei por qual razão, fizeram denúncias totalmente fantasiosas. Pretendo entrar na Justiça questionando esta decisão e estas denúncias'', afirmou o médico, irritado.
A Folha entrou em contato ontem à tarde com o escritório central do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, em Curitiba, para apurar se Dal Col tinha mais acusações em seu currículo, mas uma funcionária explicou que, por razões éticas, requisições de fichas de médicos só podem ser feitas por escrito e demoram alguns dias para serem atendidas.
De acordo com a delegada Maria Joseléia Pigozzi, da Delegacia da Mulher, o médico também foi acionado judicialmente pelas pacientes que o denunciaram à Prefeitura. ''Mas denúncias de assédio sexual têm carência de seis meses. Se a reclamação é feita após este período, o caso vai para o Ministério Público. Foi o que aconteceu nesta situação, as supostas vítimas demoraram para se apresentar'', explicou a delegada.
A diretora de recursos humanos da Secretaria de Saúde, Cláudia Hildebrando, afirmou que esta é a segunda vez em que um médico é afastado da Prefeitura de Londrina por denúncias do mesmo tipo. A primeira ocorrou em 1999.


