Uma obra com um custo de R$ 824.679,07 realizada no Parque das Nações pela administração passada de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina), e que até hoje os moradores do Conjunto Centauro ainda não descobriram a utilidade, virou motivo de reclamações. O Ministério Público (PM) interveio e apontou irregularidades. A prefeitura decidiu que nos próximos 10 dias vai demolir a construção.
  Batizada de ‘‘forte apache’’ pelos moradores, a passarela circular sobre a Rua Papagaio que, no comentário do prefeito atual, Beto Pugliese (PMDB), ‘‘leva nada a lugar nenhum’’, se tornou alvo de vândalos, que roubam os parafusos que fixam a estrutura de pinos.
  O prefeito Pugliese diz que ainda não tem um projeto definido para o local, mas que reaproveitará o espaço, levando em consideração o que já foi investido na infra-estrutura.
  O prefeito atende ao ofício encaminhado pelo promotor Luís Marcelo Mafra Bernardes da Silva, que apontou irregularidades nas instalações, baseado num laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros. O MP ressalta que a obra ainda apresenta problemas na parte elétrica, com fios desencapados, e nas travessas de madeira, já que algumas estão soltas e podem cair, podendo provocar acidentes.
  O laudo constatou que a falta de guarda-corpo na passarela compromete a segurança dos pedestres, que correm o risco de cair da estrutura de madeira.
  Técnicos da prefeitura também fizeram uma vistoria no local e constataram que a ação dos vândalos, que roubam os parafusos, que fixam os pinos, provoca alteração nos pontos de apoio.
  Já o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) recomenda que toda a estrutura de madeira da passarela seja retirada, sugerindo a elaboração de um projeto de recuperação das nascentes do
parque.
  Pugliese não quis polemizar, afirmando que a demolição da obra atende às reclamações dos moradores dos bairros próximos ao parque.
  ‘‘Aquilo se tornou um local freqüentado por marginais, que roubam os parafusos que sustentam a passarela. Aquilo foi feito com estrutura de eucalipto. Não vou dizer que foi malfeito, mas o Ministério Público nos argüiu, com base numa vistoria do Corpo de Bombeiros. Também atendemos a um abaixo-assinado da população porque a passarela está oferecendo risco para as pessoas, inclusive crianças. Então tomamos a decisão de desmanchar. O medo é que ela caia em cima de alguém ou um carro que esteja passando no local’’, afirma Pugliese.
  Apesar de reconhecer que foi investido muito dinheiro na obra, Pugliese diz que a idéia do prefeito anterior, José Bisca, não pode ser considerada ruim. ‘‘Acredito na boa intenção dele, mas ficou um coisa diferente e da maneira como foi concebida ficou sem utilização’’, avalia.
  Pugliese destaca que ainda não sabe qual a destinação que derá ao local, afirmando que está tentando levantar recursos para um projeto, que incluiria a transferência das instalações da Secretaria do Meio Ambiente para o parque. Os mais interessados são os moradores, que estão divididos quanto à demolição da passarela.
  ‘‘À noite tem muito vândalo aqui. A gente tem medo de passar, apesar de existir bastante policiamento. Porém, as pessoas que estudam à noite não se sentem seguras de passar aqui. Até agora não vejo nenhuma utilidade na passarela’’, comenta a auxiliar de costura Leonice Aparecida Calizotti, 50 anos, moradora no Jardim Panorama.
  A dona-de-casa Célia Volpato, 64 anos, moradora no Conjunto Centauro, é contra a demolição.‘‘A gente fica chateada porque foi gasto dinheiro. Antes da passarela aquilo ali era um buraco e agora é uma coisa interessante’’, afirma Célia.
  O ex-prefeito José Bisca (PFL) culpou a falta de manutenção e de vigilância no local pela atual situação da passarela. Salientou ainda que a obra incluiu a construção de uma área de lazer. ‘‘A construção foi motivada por uma reivindicação muito forte da comunidade da região. Arapongas sempre pediu uma área de lazer. Mas não houve nenhuma ação para levar eventos para o local, que ficou um pouco descuidado’’, declara.
  Para ele, o problema não foi a construção, mas a falta de cuidados posteriores. Bisca disse também que apóia a iniciativa do MP, mas que fica ‘‘chateado como cidadão’’, quando vê a situação do local. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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