Prefeitura decide demolir passarela em Arapongas
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Francimar Lemes<br>Reportagem Local 
Uma obra com um custo de R$ 824.679,07 realizada no Parque das Nações pela administração passada de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina), e que até hoje os moradores do Conjunto Centauro ainda não descobriram a utilidade, virou motivo de reclamações. O Ministério Público (PM) interveio e apontou irregularidades. A prefeitura decidiu que nos próximos 10 dias vai demolir a construção.
Batizada de forte apache pelos moradores, a passarela circular sobre a Rua Papagaio que, no comentário do prefeito atual, Beto Pugliese (PMDB), leva nada a lugar nenhum, se tornou alvo de vândalos, que roubam os parafusos que fixam a estrutura de pinos.
O prefeito Pugliese diz que ainda não tem um projeto definido para o local, mas que reaproveitará o espaço, levando em consideração o que já foi investido na infra-estrutura.
O prefeito atende ao ofício encaminhado pelo promotor Luís Marcelo Mafra Bernardes da Silva, que apontou irregularidades nas instalações, baseado num laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros. O MP ressalta que a obra ainda apresenta problemas na parte elétrica, com fios desencapados, e nas travessas de madeira, já que algumas estão soltas e podem cair, podendo provocar acidentes.
O laudo constatou que a falta de guarda-corpo na passarela compromete a segurança dos pedestres, que correm o risco de cair da estrutura de madeira.
Técnicos da prefeitura também fizeram uma vistoria no local e constataram que a ação dos vândalos, que roubam os parafusos, que fixam os pinos, provoca alteração nos pontos de apoio.
Já o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) recomenda que toda a estrutura de madeira da passarela seja retirada, sugerindo a elaboração de um projeto de recuperação das nascentes do
parque.
Pugliese não quis polemizar, afirmando que a demolição da obra atende às reclamações dos moradores dos bairros próximos ao parque.
Aquilo se tornou um local freqüentado por marginais, que roubam os parafusos que sustentam a passarela. Aquilo foi feito com estrutura de eucalipto. Não vou dizer que foi malfeito, mas o Ministério Público nos argüiu, com base numa vistoria do Corpo de Bombeiros. Também atendemos a um abaixo-assinado da população porque a passarela está oferecendo risco para as pessoas, inclusive crianças. Então tomamos a decisão de desmanchar. O medo é que ela caia em cima de alguém ou um carro que esteja passando no local, afirma Pugliese.
Apesar de reconhecer que foi investido muito dinheiro na obra, Pugliese diz que a idéia do prefeito anterior, José Bisca, não pode ser considerada ruim. Acredito na boa intenção dele, mas ficou um coisa diferente e da maneira como foi concebida ficou sem utilização, avalia.
Pugliese destaca que ainda não sabe qual a destinação que derá ao local, afirmando que está tentando levantar recursos para um projeto, que incluiria a transferência das instalações da Secretaria do Meio Ambiente para o parque. Os mais interessados são os moradores, que estão divididos quanto à demolição da passarela.
À noite tem muito vândalo aqui. A gente tem medo de passar, apesar de existir bastante policiamento. Porém, as pessoas que estudam à noite não se sentem seguras de passar aqui. Até agora não vejo nenhuma utilidade na passarela, comenta a auxiliar de costura Leonice Aparecida Calizotti, 50 anos, moradora no Jardim Panorama.
A dona-de-casa Célia Volpato, 64 anos, moradora no Conjunto Centauro, é contra a demolição.A gente fica chateada porque foi gasto dinheiro. Antes da passarela aquilo ali era um buraco e agora é uma coisa interessante, afirma Célia.
O ex-prefeito José Bisca (PFL) culpou a falta de manutenção e de vigilância no local pela atual situação da passarela. Salientou ainda que a obra incluiu a construção de uma área de lazer. A construção foi motivada por uma reivindicação muito forte da comunidade da região. Arapongas sempre pediu uma área de lazer. Mas não houve nenhuma ação para levar eventos para o local, que ficou um pouco descuidado, declara.
Para ele, o problema não foi a construção, mas a falta de cuidados posteriores. Bisca disse também que apóia a iniciativa do MP, mas que fica chateado como cidadão, quando vê a situação do local. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


