Prefeitura de Rolândia pode assumir hospital
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Rolândia Em grave crise financeira, o Hospital São Judas Tadeu, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), pode se transformar em um pronto-atendimento municipal. A alternativa foi apresentada ontem à Folha, pelo secretário municipal de Saúde de Rolândia, Fernando Aguilera. Segundo ele, há interesse da prefeitura em utilizar o prédio e os equipamentos do hospital para um pronto-atendimento. O São Judas, o único da cidade a possuir setor de pediatria, agoniza em busca de interessados em assumir suas atividades. Um grande hospital filantrópico de Londrina, disposto a implantar uma extensão na cidade, já enviou uma comissão para diagnosticar os problemas financeiros e administrativos do hospital. Mas a parceria, pelo menos por enquanto, ainda não saiu do papel. Alternativa proposta pelo secretário pode evitar que o hospital mais antigo da cidade venha fechar as portas ainda neste mês.
Ontem, o secretário se reuniu com dois dos 13 associados do hospital, entre eles o diretor e médico João Jorge Nassif, para apresentar a proposta. O São Judas, segundo Aguilera, tem uma dívida tributária com a prefeitura, referente ao não-pagamento de IPTU e ISS, que pode superar os R$ 100 mil. ''Este valor, que precisa ainda ser confirmado, seria descontado mês a mês com o aluguel do prédio. Ainda é cedo para falar, tudo vai depender da parceria que o São Judas está tentando viabilizar. Em caso de fracasso, a prefeitura pode assumir o hospital'', confirmou o secretário.
Para ser concretizado, o projeto deverá passar ainda pelo crivo da procuradoria do município. Além disso, sua regulamentação, segundo o secretário, dependeria da aprovação de um projeto de lei na Câmara Municipal. ''Estamos em período eleitoral, e isso pode dificultar as coisas'', ponderou.
Com a infra-estrutura do São Judas, que conta com aproximadamente 50 leitos, a prefeitura poderia centralizar no local o atendimento com médicos especialistas, deixando para as unidades básicas de saúde, localizadas nos bairros, o serviço de clínica geral. ''Nossa intenção é capacitar o sistema de atendimento de Rolândia para atender 100 mil pessoas, incluindo oito cidades de nossa microregião. Com um pronto-atendimento deste porte, a cidade e também a região seriam beneficiadas'', argumentou.
Aguilera acredita que a situação será definida nos próximos dias. O grupo de associados do São Judas se reuniria ontem à tarde para discutir o futuro da instituição a curto prazo. O hospital, com tradição de mais de 40 anos na cidade, tem um déficit mensal de quase R$ 15 mil e dívida de mais de R$ 500 mil com o INSS.


