Prefeitura de Londrina autoriza superpostes em troca de ciclovia
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
Guilherme Batista - Redação Bonde 
A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) abriu concorrência pública para construir uma ciclovia de 1,6 quilômetro na avenida Waldemar Spranger (zona sul de Londrina). A pista para ciclistas foi exigida como medida compensatória pela Prefeitura para a "liberação do não-óbice" da linha de transmissão de 138 mil volts dos chamados superpostes. Para o município, a ciclovia, com valor previsto de R$ 310 mil, compensaria o impacto causado pelas obras da Copel, orçadas em R$ 25 milhões.
A pista será construída entre a PR-445 e a rua dos Funcionários, onde fica a Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML). O edital de concorrência pública foi publicado na edição desta terça-feira (28) do Diário Oficial do Estado. A Copel pretende concluir a licitação, com a contratação da empresa que ficará responsável pela construção da ciclovia, em 45 dias.
Procurado pelo Bonde, o secretário municipal de Obras, Walmir Matos, confirmou a existência da medida compensatória, mas evitou dizer se há outros procedimentos que a Copel terá que executar para compensar os superpostes. Ele lembrou que não era secretário na época da negociação das compensações com a empresa.
Polêmica
As obras da Copel são alvo de críticas de moradores das regiões oeste e sul de Londrina desde o ano passado. Em setembro de 2013, após muita discussão, a companhia concordou em mudar o traçado dos superpostes após pressão dos moradores da Gleba Palhano. O pedido dos representantes dos jardins Presidente, Maringá e Igapó, no entanto, não foi atendido. As estruturas gigantes foram instaladas entre as ruas e avenidas dos bairros e, também, às margens do lago Igapó II.
Os moradores argumentam que a instalação dos superpostes e a implantação da subestação Canadá, que energizará a nova rede de alta tensão, não foram precedidas dos estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) e de Impacto Ambiental (EIA), causando problemas de acessibilidade e ambientais. Eles também questionam a autorização concedida às obras pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Valdicéia Frei, representante dos moradores afetados pelos superpostes, definiu como "palhaçada" o fato de a Copel querer compensar o impacto das obras com a construção da ciclovia. "É mais um capítulo de uma história completamente absurda. Sem contar que a ciclovia vai ser instalada em outra região e não trará benefícios aos moradores realmente prejudicados", criticou.
A Copel depende de um habite-se da Secretaria de Obras para ativar a subestação Canadá e energizar os superpostes. Entretanto, a possibilidade de autorização só vai começar a ser analisada após a conclusão dos trabalhos de uma comissão formada na Câmara de Vereadores para discutir o impasse. O caso também está sendo apurado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
A Copel alega que os superpostes são necessários para o atendimento de 36 mil domicílios das regiões central e sul de Londrina.


