Prefeitura de Ibiporã apura denúncia de maus-tratos a cães
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quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Ibiporã Uma denúncia anônima levou policiais militares e representantes da Prefeitura de Ibiporã até uma propriedade rural próximo às margens do rio Tibagi. No local, havia mais de 20 cães de raça, entre filhotes e adultos de pequeno porte, abrigados em condições precárias. Os animais estavam presos em gaiolas dentro de uma das casas. Fezes e sujeira estavam espalhadas pelos três cômodos e o cheiro forte e a falta de higiene chamaram a atenção da equipe.
A representante da ONG de Ibiporã Instituto Carlos Galera, Maria Galera, se surpreendeu com a situação encontrada no local. "Os animais estão aparentemente saudáveis, havia água e comida para eles, mas eles permanecem em gaiolas pequenas, com muita sujeira e isso caracteriza maus-tratos", comentou. A ONG mantém um projeto de proteção a animais abandonados e destina cães encontrados nas ruas para adoção.
Nenhum responsável pela chácara estava na residência no momento da fiscalização. De acordo com o soldado da PM de Ibiporã Edgard Soares, o portão principal da propriedade estava apenas encostado quando a equipe chegou ao local. Os cães foram soltos assim que os policiais entraram na casa. Em outro imóvel, nos fundos do terreno, havia móveis velhos e apenas uma cama em um dos cômodos. O local aparentava estar abandonado.
O técnico da Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, José Aparecido Moreira, ressaltou que as condições estavam inadequadas. "Vamos ter que localizar o responsável e pedir explicações. Não podemos retirar os animais e levá-los daqui sem autorização da Justiça", explicou.
A chácara é alugada e pertencia a uma advogada de Ibiporã que foi encontrada morta dentro de um poço artesiano existente no local. A equipe não conseguiu contato com a locatária, mas a prefeitura de Ibiporã promete dar continuidade a apuração das denúncias.
Além das condições de maus-tratos, também há a suspeita de que os animais seriam comercializados de forma irregular. Havia cães das raças Yorkshire, Beagle e Spitz Alemão e filhotes que podem ser vendidos a um valor de até R$ 4 mil.
Após a fiscalização, a prefeitura de Ibiporã pretende pedir explicações ao responsável pelo imóvel. O secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Tomas Falkowski, argumentou que é preciso verificar se há algum responsável técnico pelos animais, se eles foram vacinados da forma adequada e se há algum tipo de registro de cada um dos cães. "Ainda não podemos classificar isso como crime. Os animais estão bem tratados, falta higiene. Vamos comunicar o Ministério Público, que deve convocar essa pessoa responsável para prestar esclarecimentos", afirmou.
A ONG que acompanhou a operação não tem condições de oferecer abrigo para todos os animais, mas pretende buscar parcerias caso os representantes consigam uma autorização para remover os cães do local.


