Prefeitura de Foz fecha hotel devedor
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Em uma operação tumultuada, a Prefeitura de Foz do Iguaçu fechou ontem à tarde o Hotel Belvedere, um estabelecimento com cerca de 60 apartamentos, na Rodovia das Cataratas. Segundo a prefeitura, o hotel tem uma dívida de aproximadamente R$ 500 mil em impostos e taxas municipais, que não estariam sendo pagas desde 1994. A Folha não conseguiu localizar nenhum representante da empresa para confrontar essas informações.
Por causa da dívida, há 5 anos o hotel funcionava irregularmente. A principal condição para a renovação do alvará de licença é que o pagamento de impostos municipais esteja em dia. O estabelecimento também não tinha autorização de funcionamento do Corpo de Bombeiros.
De acordo com a Secretaria Municipal de Finanças, o fechamento do hotel é o primeiro passo de uma ofensiva contra a inadimplência de empresas no pagamento de taxas e impostos. Um levantamento apontou que 200 estabelecimentos boa parte deles de grande porte devem cerca de R$ 80 milhões em tributos municipais. O trabalho foi iniciado pelo Hotel Belvedere por ser o que tem a dívida mais antiga.
A operação envolveu 12 fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (responsável pela autuação devido à falta de alvará), três guardas municipais e três policiais civis. O grupo permaneceu no prédio por mais de uma hora, porque não encontrava um responsável pela empresa para assinar o auto de interdição. Ao final, o documento foi assinado pela recepcionista.
No período em que ficaram no local, os fiscais entraram em várias dependências do hotel. Na cozinha, encontraram panelas sujas, geladeira com restos de alimentos congelados e muitas moscas.
Ontem, havia cerca de 35 hóspedes no hotel 30 dos quais mensalistas. A prefeitura deu um prazo de 48 horas para que o hotel pague a dívida ou transfira esses hóspedes. Se isso não ocorrer, eles poderão ser despejados. A advogada Simone Miranda Pereira obteve da prefeitura a garantia de que os dez funcionários que moram em apartamentos ou casas nos fundos não serão despejados até que sua situação seja resolvida.
Simone disse á Folha que só representava o grupo de funcionários e não poderia falar em nome dos donos estabelecimento. Um homem que se apresentou como advogado da empresa foi embora logo depois, sem se identificar ou dar entrevista.
A Folha apurou que o hotel pertence ao paraguaio Carlos Ramirez, que mora em Assunção. A responsável pelo estabelecimento Lisky Ramirez, filha de Carlos , estaria hospitalizada ontem. A reportagem apurou também que o pagamento dos funcionários está atrasado.
A Folha procurou o presidente do Sindicato dos Hotéis de Foz, Carlos Tavares, para que ele comentasse as medidas, mas não conseguiu localizá-lo ontem à tarde. Foz do Iguaçu é o terceiro pólo hoteleiro do Brasil, com 180 estabelecimentos, que somam 20 mil leitos. Os maiores são Rio de Janeiro e São Paulo.
O setor vive uma grave crise, que afetou principalmente os hotéis mais simples, destinados a atender sacoleiros. O movimento do turismo de compras em Ciudad del Este, no Paraguai, cai a cada ano, deixando esses hotéis sem clientela e com dificuldades para pagar contas.
Assustado com a presença de policiais, o técnico de som e imagem Reinaldo de França, de 32 anos, disse ontem à tarde que não tinha outro lugar para abrigar sua família com a interdição do Hotel Belvedere. Ele mora em um dos apartamentos do hotel há quatro meses, com a mulher, Maria Cristina, de 33 anos, e a filha Aline, de 12.
França chegou a discutir com o secretário municipal de Meio Ambiente, Adilson Rabelo, que comandava a operação. Para onde vou levar todos os meus móveis?, perguntava irritado. Segundo o técnico, o grupo de 30 pessoas que mora no hotel paga adiantado as mensalidades de R$ 200,00, em média.
França afirmou que os mensalistas não sabiam que o hotel estava inadimplente. Além dele, outros hóspedes andavam desorientados ontem à tarde pela recepção do hotel. A prefeitura deu à empresa um prazo de dois dias para que a situação seja resolvida.





