A Prefeitura de Cascavel suspendeu por 30 dias a ginecologista e obstetra Sônia Maria Stelko Amorim, que presta serviços como médica ao município. Ela é investigada pelo Ministério Público e pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) por denúncias de procedimentos errados em partos, que teriam deixado sequelas em várias crianças. A portaria municipal baixada ontem e assinada pelos secretários de Saúde, Marcos Solano Vale, e da Administração, José Alberto Dietrich Filho, diz que o motivo da suspensão é a instauração de processo administrativo para averiguar acusações de má conduta profissional.
A médica terá o salário reduzido em um terço durante o período de investigação. Caso algum tipo de irregularidade seja comprovado, Sônia Amorim pode ser punida com exoneração. ‘‘Não estamos fazendo um pré-julgamento, pois o processo foi aberto exatamente para investigar a veracidade das denúncias’’, explica Marcos Solano.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Laerson Vidal Matias, afirma que já estão sendo tomadas as providências para afastar a médica dos trabalhos no Hospital Universitário, enquanto ela estiver em investigação. O Conselho vai enviar um ofício ao Conselho Regional de Medicina (CRM) pedindo a cassação do registro profissional de Sônia Amorim. ‘‘Seus possíveis crimes foram cometidos em Cascavel, mas sua punição deve valer para todo País’’, avalia Matias.
O promotor Marcelo Correia está colhendo depoimentos de mulheres cujos filhos apresentam sequelas e foram atendidas pela ginecologista nos últimos 20 anos. O Ministério Público pediu à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cascavel um balanço de crianças com problemas ocasionados por falta de oxigenação no cérebro no momento do parto, e cujas mães tenham sido atendidas pela médica Sônia Amorim. De acordo com o levantamento, são mais de 80 casos.
Segundo o Ministério Público, umas das coincidências verificadas é que a maior parte dos problemas nos bebês teria ocorrido por demora no parto. Até o momento 10 mulheres prestaram depoimentos voluntariamente. O MP passou a notificar mais 12 mães citadas no processo e ainda não ouvidas. A expectativa é que a médica deponha ao promotor até o fim do mês.
A Folha procurou Sônia Amorim novamente ontem e a informação obtida é de que ela não vai se pronunciar até a conclusão das investigações.

mockup