A Prefeitura de Campo Mourão está dando emprego em frentes de trabalho para 16 moradores do Conjunto Habitacional Condor para que eles regularizem as prestações da casa própria. Todos estavam desempregados e vinham atrasando as mensalidades, além das contas de água e luz. Na prefeitura, cada um ganha R$ 7,00 por dia e trabalha em funções braçais no Horto Municipal e na Secretaria de Obras e Serviços Públicos.
‘‘São pessoas que até bem pouco tempo moravam em favelas e não tinham prestações da casa própria para pagar’’, explica a assistente social da prefeitura, Ivone Maggione Fiore. ‘‘Como eles ficaram desempregados, a situação piorou com as dívidas e já havia o risco deles perderem as casas por inadimplência’’. O conjunto Condor tem 60 casas e foi feito para abrigar antigos moradores da Favela Vila Nova, que existia ao lado das novas casas.
Um dos moradores beneficiados com o emprego da prefeitura é o auxiliar de serviços gerais José Nunes, 24 anos. Ele mora com a mãe, está desemprego há dois meses e conta que já acumulou três prestações de R$ 23,00 sem pagamento. ‘‘Sem trabalhar, não tinha como pagar a casa’’, disse. O último emprego dele foi como auxiliar de eletricista. Ontem, Nunes trabalhava na limpeza dos canteiros centrais da Avenida Capitão Índio Bandeira, a principal da cidade.
‘‘O serviço é maneirinho, mas a gente tem que andar bastante’’, ressaltou. Para conseguir o trabalho na prefeitura, ele teve que se comprometer a pagar as prestações atrasadas. Apenas se queixa que pode voltar a ficar sem emprego dentro de 40 dias, quando acaba seu contrato. ‘‘Pelo menos nesse tempo, o dinheiro vai ajudar bastante’’, consola-se. A prefeitura, no entanto, pode mantê-los nas frentes até que eles arrumem outro emprego.
Segundo Ivone Fiore, os moradores desempregados do Condor estão sendo aproveitados em áreas compatíveis com suas habilidades profissionais. A contratação é feita em parceria entre a Secretaria Municipal do Bem Estar Social e o Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). No total, os 16 desempregados são os responsáveis pelo sustento de 52 pessoas e têm prestações que variam de R$ 18,00 a R$ 35,00.
O conjunto Condor foi um dos primeiros projetos de desfavelamentos inaugurados no Estado no sistema de parceria entre a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), a Caixa Econômica Federal e as prefeituras. As casas têm 31 metros quadradas e foram construídas pelo sistema de autogestão. Os antigos barracos foram destruídos para evitar que fossem ocupados por novas famílias. Os mutuários também ganharam móveis usados arrecadados pelo Provopar. A segunda etapa do projeto prevê a construção de mais 84 casas.

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