Prefeitura contesta
pesquisa da UFPR,
mas não tem índices
Órgãos do governo estadual e da prefeitura criticam pesquisa da Universidade Federal que mostra que qualidade do ar no Centro não é boa

Mauro FrassonControleTécnico do IAP troca filtro no equipamento que mede o grau de poluição do ar no Centro de CuritibaIAP diz que a
medição feita no
pátio da Santa Casa
é muito pontual
Mônica Kaseker
e Miriam Karam
O Instituto Ambiental do Paraná e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente contestam a pesquisa feita pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), que constata concentração de ozônio acima do nível de alerta de 400 microgramas por metro cúbico em Curitiba. Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, ‘‘pesquisas pontuais como esta podem mascarar a realidade. Uma pesquisa feita numa sala encerada não pode ser considerada’’.
A professora Zióle Zanotto Malhadas, responsável pelo projeto ProAr, desenvolvido pela UFPR em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, contesta a informação. Segundo ela, a pesquisa nunca é feita dentro da sala de aula (a prefeitura argumenta que solventes da cera eventualmente existente nos pisos alteraria os resultados), mas sempre no pátio da escola.
Segundo o secretário, só com a rede de monitoramento inaugurada ontem (veja matéria abaixo) será possível cruzar dados das diversas estações para avaliar a qualidade do ar na cidade. Isto quer dizer que o monitoramento da qualidade do ar apresentado até agora não correspondia à realidade. Além de contestar a pesquisa da UFPR, a chefe da Divisão de Tecnologia Ambiental do IAP, Ana Cecília Novacki, diz que a medição feita no pátio da Santa Casa é muito pontual e sujeita a influência de obras nas proximidades, por isso não indica a qualidade do ar em Curitiba.
Apesar disso, o IAP divulga diariamente um boletim, dando conta - como a Folha informou ontem - que a qualidade do ar foi considerada regular ou inadequada em 81% dos últimos 269 dias. Já a prefeitura divulgou nota afirmando que a qualidade do ar esteve ‘‘boa’’ em 91% dos últimos 150 dias. E afirma que, nos poucos dias em que a situação esteve ruim, o fato teria sido causado pela concentração de poeira, e não de dióxido de enxofre. O boletim do IAP, no entanto, não especifica qual poluente causou o problema, apenas diz que os parâmetros analisados são os índices de enxofre, fumaça e material particulado (poeira e pó). Não esclarece qual deles superou os níveis admitidos.
A ambientalista Teresa Urban, do Fórum Pró-Conservação da Natureza no Paraná, também afirma estar comprovado que ‘‘não existe informação suficiente para definir as áreas de maior concentração de poluentes no ar da cidade’’. Segundo ela, os únicos dados disponíveis são justamente os levantados pelo projeto ProAr, feito por pesquisadores da UFPR, ‘‘que registra apenas alguns elementos de contaminação’’.
Teresa Urban afirma ainda que ‘‘sem uma base de dados confiável, ninguém pode afirmar que a poluição está sob controle’’, e que considerando que a Praça Rui Barbosa é um dos maiores pontos de concentração de veículos, ‘‘sobretudo os de transporte coletivo, geralmente os principais responsáveis pela emissão de dióxido de carbono, pode-se afirmar que a concentração de poluentes naquela área ultrapassa de longe os limites recomendáveis para proteção da saúde humana’’.
Metodologia - Com a metodologia usada pela professora Zióle Zanotto Malhadas da UFPR, segundo Ana Cecília Novacki, pode haver interferência da temperatura, umidade, ventos e radiação solar. ‘‘O dispositivo é um crachá, que fica exposto oito horas e tem reação colorimétrica. Não é confiável’’, afirma. Ela diz que a lei prevê o uso de equipamentos de maior precisão, que ficam uma hora expostos.
Segundo a professora Zióle Malhadas, o ProAr usa metodologia oficial, prevista pelo próprio Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). O método, da quimioluniniscência, tem tecnologia norte-americana.

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