Prefeitura contesta o censo do IBGE
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
A Prefeitura de Guarapuava está contestando o censo realizado em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o censo, o município tem 150,7 mil habitantes, nove mil a menos que o número constatado pelo censo de 1991. Com isso, o município vai perder todo mês cerca de R$ 300 mil do fundo de reserva do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é destinado para municípios com população acima de 156 mil habitantes.
Em 1991, o município tinha 159 mil habitantes, mas os distritos de Candói e Campina do Simão ainda não eram emancipados. Com os desmembramentos, o município perdeu 24 mil habitantes. Segundo o IBGE, se fosse considerada a população dos dois ex-distritos, Guarapuava teria hoje cerca de 175 mil habitantes.
O prefeito em exercício, Antônio França Araújo (PMDB), acredita que houve falha no censo e que há incoerência em relação ao número de eleitores e estudantes. Mesmo que Guarapuava tenha perdido população, o número não pode ser esse divulgado pelo IBGE. O instituto divulgou que o município tem 90 mil eleitores e 34 mil estudantes. Isso não tem coerência, está errado. Guarapuava não pode ser prejudicada por causa de um erro, argumenta.
Araújo disse que a prefeitura está se propondo a pagar um novo censo. Tem muita gente que garante não ter sido visitado pelos recenseadores. Se nós realizarmos um novo censo, o custo vai ser bem menor do que o valor que vamos perder. Temos certeza que os números vão ser diferentes.
A prefeitura está entrando com recurso junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) com base na Lei Complementar N 7493, que diz que os municípios que cederam população para distritos desmembrados em 1992 não devem ser prejudicados pelo FPM. A prefeitura também protocolou documento de contestação junto ao IBGE, no Rio de Janeiro.
O chefe da agência local do IBGE, Diógenes Guimarães Pupo, não admite que houve falhas no censo. A população não diminuiu. Pelo contrário, mesmo com a emancipação de Candói e Campina do Simão, em números realativos a população aumentou, ressalta.
Pupo conta que algumas pessoas que disseram não ter recebido o recenseador foram procuradas pelo IBGE, que comprovou questinários de coleta de dados nessas residências. Uma pessoa da família recebe o recenseador e não comenta com as outras. Por isso, tem gente que acha que o recenseador não passou na casa. Não há erro no número de habitantes e essa contestação não passa de artimanha política, afirmou Pupo.


