A prefeita de Barbosa Ferraz (74 quilômetros a nordeste de Campo Mourão), Elza Marques Gonçalves (PDT), teve que comprar um barco e 10 coletes salva-vidas para evitar que um grupo de mais de 100 bóias-frias ficasse sem emprego na cidade.
O barco, com capacidade para transportar 10 pessoas e que custou R$ 600,00, é utilizado para que os trabalhadores volantes cruzem o Rio Corumbataí, na divisa de Barbosa Ferraz com São João do Ivaí. Com isso, eles encurtam em cerca de 20 quilômetros a distância até as fazendas onde trabalham.
‘‘Foi a forma que encontramos para ajudar essa gente’’, diz a prefeita. ‘‘Eles estavam sem trabalho e dependiam da ajuda da prefeitura’’. Funcionária por mais de 20 anos do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barbosa Ferraz, Elza conhece bem a situação dos bóias-frias.
Auxílio Segundo ela, pelo menos 400 trabalhadores volantes do município trabalham, normalmente, nas lavouras de cana-de-açúcar em Engenheiro Beltrão e São Pedro do Ivaí, mas houve redução na mão-de-obra e cerca de 150 deles ficaram sem serviço. A maioria foi procurar trabalho na prefeitura.
‘‘Não tínhamos serviço para tanta gente e muito menos dinheiro para pagá-los’’, conta a prefeita. ‘‘Ao mesmo tempo, vivíamos o drama de trabalhadores passando fome’’.
Antes da compra do ‘‘barco municipal’’, vários bóias-frias se arriscavam fazendo a travessia em barcos pequenos e velhos.
‘‘Não havia nenhuma segurança e corríamos o risco de uma tragédia’’, ressalta Elza. Outra alternativa pensada foi o transporte por ônibus, mas os custos seriam altos e seria necessário até a compra de mais veículos. ‘‘Tivemos que usar a criatividade’’, diz a prefeita.

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