Prefeitura combate mosquitos aplicando controlador biológico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 1997
Elisa Marilia 
Da Sucursal
Os ataques de borrachudos nas áreas rurais próximas a rios e riachos em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) devem diminuir com aplicações de um controlador biológico. A aplicação do produto está prevista para durar três dias e vai atingir os principais focos de larvas do inseto, em cerca de 12 rios e córregos que cortam o município.
Segundo a bióloga da Secretaria Municipal da Agricultura de Araucária Cristiane Rontal Fausto, várias localidades estão infestadas pelo borrachudo e as crianças são as que mais sofrem com os ataques. Os trabalhadores rurais também recebem várias picadas enquanto trabalham.
Mesmo dentro das casas os borrachudos estão atacando. De acordo com a bióloga, o número de insetos aumentou por causa do desmatamento de grande parte da mata ciliar, o que afastou seus predadores naturais, como sapos e algumas espécies de peixes. Este é um projeto de longo prazo e estamos prevendo seis ou sete anos para fazer um reflorestamento e acabar de vez com o problema, disse Cristiane. O lixo jogado nos rios colabora para agravar o problema.
A aplicação começou ontem pelo Rio Campina das Pedras. O produto será colocado na água numa extensão de dez quilômetros. São necessários cerca de meio litro do produto para cada quilômetro. Ao todo a secretaria deve gastar 30 litros do produto cobrindo uma extensão de 52 quilômetros. O produto não é tóxico para o ser humano, mas dilacera o intestino dos insetos, causando sua morte.
A aplicação do controlador biológico está sendo financiada pela prefeitura. Com o produto serão gastos R$ 1,8 mil. Apenas a continuidade da aplicação vai garantir a eliminação do borrachudo nas regiões infestadas, esclarece Cristiane. No inverno o produto será aplicado a cada 30 dias e no verão, a cada 15 dias.
O secretário da Saúde do município, Carlos Alberto Weber Schiller, explica que apenas as pessoas mais afetadas procuram os postos de Saúde, geralmente com infecção da pele dos braços e pernas. Os processos mais graves de infecções podem evoluir até para um tétano, mas nenhum caso foi registrado, disse.


