Prefeitura cede e abre
consultório para dentista
Sid Sauer
A Prefeitura de Engenheiro Beltrão (32 km ao norte de Campo Mourão) permitiu ontem que o dentista Valmir Antônio Pardo trabalhasse no consultório odontológico do posto de saúde, depois de um impedimento de 10 dias. A permissão foi dada em reunião entre o dentista e o secretário geral da prefeitura, Denílson Dagostin. Anteontem, Pardo protestou fazendo exame clínico na rua.
Ao permitir que o dentista tivesse acesso ao consultório, a prefeitura evitou que um oficial de Justiça constatasse que ele estava sendo impedido de trabalhar. O oficial foi ao local a pedido da juíza Ketbi Astir José, que há 15 dias havia expedido liminar mandando a prefeitura reintegrar Pardo, demitido em março. O descumprimento poderia causar ao município a acusação de crime de desobediência.
Ao ser reintegrado pela Justiça, dois meses depois, ele foi surpreendido com o consultório fechado no seu horário de atendimento. A mesma acusação faz o motorista Luiz Tavares Rosa, demitido junto com Pardo e também reintegrado através de liminar.
Desde que obteve a reintegração, Rosa não tem acesso a nenhum carro. Acusado de abandonar pacientes levados a Campo Mourão quando era motorista da secretaria de Saúde e de se recusar a trabalhar com caminhões, ele diz que fica o dia inteiro parado, enquanto a prefeitura estaria até pagando horas extras para outros motoristas.
O prefeito José Dal Ponte (sem partido) alega que deixou Pardo sem trabalhar por não haver mais ‘‘clima’’ para ele atuar no posto de saúde. O prefeito acusa o dentista de não cumprir a jornada de quatro horas diárias de trabalho. O dentista responde que o problema está no consultório, que não tem equipamentos necessários para atender a todos os pacientes. Já Rosa se revolta com a acusação de abandono de pacientes. ‘‘A prefeitura precisava dos ônibus para realizar o transporte escolar’’, justifica.

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