Prefeitura atrasa novamente o salário do funcionalismo
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segunda-feira, 29 de setembro de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Os 6.500 servidores municipais não receberão pagamento hoje. Os salários, que deveriam ser creditados na conta corrente dos funcionários no último dia útil do mês, sairão apenas no dia 2 de outubro, segundo informação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv).
O presidente do sindicato, Gláudio Renato de Lima, diz que recebeu a confirmação de novo atraso do pagamento na tarde da última sexta-feira. Ele foi comunicado pelo secretário municipal da Fazenda, Luis César Guedes, que explicou que a Prefeitura tem apenas R$ 2 milhões em caixa. A folha de pagamento é de aproximadamente R$ 5,5 milhões.
Como não há certeza de que o pagamento será mesmo efetuado no dia 2, o Sindserv marcou assembléia para aquela data, às 18 horas, no auditório da Supercreche (área central). Os servidores querem definir estratégias no caso de o pagamento não ser creditado na quinta-feira.
Gláudio Lima espera que no dia 2 a Prefeitura libere, pelo menos, uma parcela dos salários. A maioria dos servidores ganha até R$ 500,00 e com o dinheiro em caixa dá para pagar uma grande parcela, observa o presidente do sindicato. Neste ano, a Prefeitura atrasou o pagamento vários meses.
Já pensando nas dificuldades para efetuar o pagamento do 13º salário, a Prefeitura quer pedir um empréstimo de R$ 5 milhões para esse fim. Projeto de lei pedindo autorização do Legislativo para obter o empréstimo foi votado ontem, em regime de urgência, no final da sessão da Câmara de Vereadores.
Aprovada em primeira discussão, a matéria precisa ainda passar por mais duas votações antes de ser sancionada pelo prefeito Antonio Belinati (PDT).
Segundo o projeto, o empréstimo será realizado junto a entidades financeiras oficiais e o prazo de amortização será de no mínimo dois anos. A Prefeitura dará como garantia parcelas da arrecadação tributária municipal, inclusive quotas do Fundo de Participação do Município (FPM) e parte do Imposto Sobre Operações de Mercadorias e Serviços (ICMS).
O líder do prefeito Antonio Belinati na Câmara, vereador Renato Araújo (PPB), diz que os recursos serão usados somente em novembro, para pagamento da primeira parcela do 13º salário, mas é preciso aprovar o projeto agora por causa do Banestado - agente financeiro e avalista na transação.
Renato Araújo explica que o banco precisa desde já fazer uma avaliação da receita do ICMS recolhido pelo Município para verificar a viabilidade do empréstimo. Parte do dinheiro deverá ser utilizado também no pagamento de fornecedores.


