Sport Clube Infibra. Assim os meninos que nadavam nos tanques da antiga indústria de telhas de amianto Infibra, localizada no Jardim Leonor (Zona Oeste), chamavam os dois ''piscinões'' que se formaram no local, depois que a empresa faliu e o terreno ficou abandonado, há pelo menos três anos.
''Tá calor e não tem outra piscina perto'', disse Pedro Amaro da Silva Neto, 11 anos. Ele reclamou da operação da Prefeitura, que aterrou os tanques na tarde de ontem. ''Agora vamos ter que fazer carteirinha e ir nadar lá no Londrina (Sport Clube)'', brincou o garoto, cercado pelos vizinhos.
Segundo Vilson Bittencourt, coordenador do Conselho Local de Saúde do Jardim Leonor, o aterro dos tanques - que estavam lotados de água parada e lodo - foi a medida encontrada para solucionar três grandes problemas do bairro: a proliferação de focos da dengue, o aumento dos casos de hepatite A e a ocorrência de acidentes no local, já que os ''piscinões'' têm mais de dois metros de profundidade e estão cheios de objetos de ferro.
De acordo com o diretor de saúde ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Maurício Barros, a operação deveria terminar ainda ontem. Para cobrir os tanques, que serviam como local de carga e descarga de materiais da indústria, os funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) utilizaram parte da terra disponível no terreno abandonado.
Segundo a coordenadora da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor, Rosemary Sanches Teixeira Molina, foi feito um trabalho de conscientização com as famílias vizinhas à construção, mas o efeito foi mínimo. ''Chamamos a atenção das crianças mas elas não ouviam'', lamentou Rosemary.
Além de 20 casos confirmados de hepatite A no bairro e incidência de crianças machucadas depois de brincar no terreno - cercado por telhas e estruturas de ferro e amianto por todos os lados -, os barracões foram confirmados como focos do mosquito da dengue.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deverá contratar um empresa para definir o grau de contaminação dos materiais encontrados nos galpões antes de resolver qual será o destino do lixo. ''Provavelmente irá para o aterro industrial da cidade'', informou João Batista de Souza, assessor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema).

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