Ana Carolina Sacoman
A Prefeitura de Maringá ameaça, a partir desta semana, apreender os ônibus das linhas intermunicipais que continuam usando a antiga rodoviária como local de embarque e desembarque de passageiros, proibido desde o início do mês. ‘‘Não pretendo fazer nada contra o usuário, mas quero que a companhia siga as normas do município’’, alertou o secretário de Transportes José Henrique Ruschi de Camargo. Ontem pela manhã, os fiscais da prefeitura estavam multando em R$ 456,00 cada ônibus irregular.
Atualmente, apenas as linhas consideradas ‘‘metropolitanas’’, que atendem os municípios de um raio de até 30 quilômetros, podem utilizar o local. No entanto, os ônibus da Viação Garcia que fazem a linha entre Maringá e Nova Esperança, de 36 quilômetros, ainda não mudou para a nova rodoviária.
O gerente da empresa em Maringá, Massao Wilson Carlos Horita, informou que foi pego de surpresa com a nova determinação e disse que não houve tempo para a transferência. ‘‘Há várias questões ainda a serem debatidas, como o novo horário, itinerários e tarifas’’, alegou. Ele disse que ainda não foi oficialmente comunicado sobre a mudança. ‘‘De oficial nós só temos a notificação e as autuações, mas faltam ainda outros detalhes, como a forma de operação e os locais permitidos de embarque e desembarque. Queremos uma posição final’’.
Além da mudança de local, as empresas terão que trocar o tipo de ônibus utilizado nas viagens, que passariam dos modelos urbanos para rodoviários. Segundo o secretário, a medida visa garantir a segurança e o conforto dos usuários, que não poderão mais viajar em pé. Para as empresas, a resolução vai encarecer a tarifa que poderá ter aumento de mais de 100%, além do custo extra da taxa de embarque estipulada pela prefeitura em R$ 0,30 para viagens de até 100 quilômetros. ‘‘Os usuários dessas linhas são principalmente trabalhadores e estudantes que não podem arcar com mais estas despesas’’, disse Horita. ‘‘Eles serão bastante prejudicados’’.
A resolução deixou os passageiros indignados. Com a distância da nova rodoviária até o centro, muitos terão que utilizar o transporte coletivo urbano, pagando mais uma tarifa. Além disso, há a questão da mudança dos horários antigos, já que os trajetos ficarão cerca de 4 quilômetros mais longos, o que poderá até provocar atrasos. ‘‘Já estamos acostumados a pegar o ônibus na rodoviária antiga na área central e essa situação é totalmente inviável’’, disse o agente penitenciário Rodney Oliveira. ‘‘Sou um trabalhador e não tenho nada com a questão, só não posso abrir mão do meu emprego por causa desse transtorno’’, acrescentou o também agente penitenciário Almir Mangolim.

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