A Prefeitura de Londrina notificou a empresa N. da Cruz Alves, de Jandaia do Sul, sobre a demora na reforma e ampliação da nova sede da Secretaria Municipal de Educação, que está sendo erguida no antigo Mercado Quebec, na rua Humaitá, região sul da cidade. A pasta funciona em um imóvel alugado na rua Mar Vermelho, no jardim Cláudia, perto da avenida Madre Leônia Milito. O contrato foi assinado no dia 3 de maio deste ano e prevê oito meses para conclusão da obra, orçada em mais de R$ 2,2 milhões.

Imagem ilustrativa da imagem Prefeitura alega atraso em nova sede da Educação, mas empresa nega irregularidades
| Foto: Reprodução/Prefeitura de Londrina

De acordo com o secretário de Obras, João Verçosa, depois de mais de quatro meses, o cronograma já deveria estar em 50%, mas o ritmo dos trabalhos estacionou em 4%. "São poucos funcionários trabalhando. O recado foi dado para a retomada o mais rápido possível. Tudo está muito atrasado. Na semana passada intimamos a empresa, que não está imprimindo a agilidade necessária. Se a determinação não for cumprida, não descartamos abrir um processo de penalidade", ressaltou. A instituição também está reformando o Ginásio de Esportes Moringão e a Biblioteca Pública Municipal.

O gerente operacional da N. da Cruz Alves, Henrique Oliveira, apresentou outra versão. Ele justificou que, após a assinatura da ordem de serviço, recebeu os projetos da construção com alguns erros. "A prefeitura é exclusivamente a única culpada por esse atraso. Começamos a executar a obra e nos deparamos com várias irregularidades. Isso gerou um transtorno enorme porque precisamos trabalhar com programação. Se não tenho isso, não há também como seguir o planejamento. Não tenho como ficar com um efetivo grande de funcionários se não há o que fazer. Encontramos falhas na fundação do prédio, mas aos poucos as incorreções estão sendo corrigidas", explicou.

Verçosa reconheceu que algumas correções foram necessárias, mas "nada que justifique a paralisação. Essas justificativas não podem ser utilizadas como argumento para interrupção dos trabalhadores", afirmou.

Impasse

A N. da Cruz Alves enfrenta ainda um imbróglio com operários que foram contratados para a nova sede da Secretaria de Educação. Cinco deles procuraram na semana passada o Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina) para denunciar que não teriam recebido o vale-compra de pouco mais de R$ 500 e equipamentos para proteção. "Eles iam me mandar lá para a Biblioteca, mas não aceitei porque não tinha segurança. Não me pagaram a rescição, o vale-transporte e outras coisas que tenho direito", disse um dos trabalhadores ouvidos pela FOLHA, que preferiu não se identificar. Ele foi dispensado em agosto, antes de vencer o período de experiência.

O advogado do Sintracom, Jorge Custódio, explicou que os funcionários desligados trabalhavam como serventes de pedreiro e mestre de obra. "As denúncias são graves. Podemos entrar até com uma ação judicial cobrando essas reivindicações", disse. O sindicato convocou uma reunião na última sexa-feira (27) com os envolvidos, mas nenhum representante da construtora apareceu para dar explicações.

Henrique Oliveira explicou o motivo das demissões e negou irregularidades por parte da empresa. "Eles foram desligados pela baixa produtividade, mas todos vão receber o que têm direito. Acredito que ficaram chateados pela situação, mas foi uma escolha nossa de não renovar o contrato. Está sendo feita uma tempestade sobre esse assunto. Talvez não tenham entendido corretamente as informações. Fornecemos todos os itens de proteção", observou. Apesar das dispensas, ele assegurou que nove empregados continuam na reforma e ampliação do novo prédio da Educação.

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