Arquivo FolhaSantos, de Adrianópolis: ‘‘Até hoje não chegou um tostão sequer’’A Defesa Civil do Paraná em Curitiba ainda não recebeu os levantamentos oficiais dos prejuízos dos municípios atingidos pelo excesso de chuva e informa que alguns valores que estão sendo divulgados podem estar superestimados. Já os prefeitos reclamam das dificuldades no ressarcimento dos prejuízos. O prefeito de Prudentópolis, Vilson Santini, diz que teve prejuízo de R$ 1 milhão e que deve receber apenas R$ 40 mil. Segundo ele, o desconto de 12% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que vai para o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) deveria ser usado nestas situações, mas isso não acontece por incompetência dos secretários de Estado.
‘‘O governo estadual falou muito, mas até agora não ajudou’’, diz o prefeito Vilson Santini. Segundo ele, foram enviadas 200 cestas básicas, máquinas para restaurar as estradas e também foram prometidos R$ 40 mil para a reconstrução das 30 casas destruídas. ‘‘Quarenta mil reais é o que nós recolhemos todo mês para o Fundo Social de Emergência e quando precisamos numa situação de calamidade não conseguimos o dinheiro. Isso é um roubo’’, esbraveja. ‘‘Minha arrecadação já é uma m. e estes secretários incompetentes não conseguem o dinheiro que está lá em Brasília para isso’’, desabafa.
O coordenador de Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento (Ipardes), Gilmar Lourenço, diz que os prefeitos tem razão em reclamar. O Fundo Social de Emergência foi criado para vigorar durante o período de 1,5 ano, renovado por mais um período com a mesma duração sob o novo nome de Fundo de Estabilização Fiscal e renovado pela terceira vez no ano passado.
Mas o FEF não conseguiu destinar recursos para obras sociais para prevenir situações de calamidade ou emergência e nem para equilibrar as contas públicas. Lourenço explica que os municípios e Estados têm reivindicado o fim da contribuição ou a flexibilização do uso destes recursos. ‘‘Este dinheiro faz falta para os municípios, que já estão em dificuldades financeiras’’, argumenta.
O prefeito de Adrianópolis, no Vale do Ribeira, José Carlos dos Santos, diz que na enchente do ano passado o prejuízo do município foi de R$ 2 milhões. ‘‘Até hoje não chegou um tostão sequer’’, reclama. Segundo ele, desta vez o prejuízo foi de R$ 1 milhão, mas a única ajuda conseguida até agora foi da Secretaria de Transportes, que deve enviar máquinas para arrumar as estradas. ‘‘Talvez não passe disso’’, lamenta. A solução definitiva só viria com a pavimentação da estrada, mas para o prefeito ‘‘não tem governador que ajeite isso’’.
Tunas do Paraná foi mais modesta no cálculo dos prejuízos. Segundo o secretário executivo do prefeito, Alan Isac Lima, o prejuízo foi de R$ 100 mil em duas pontes, oito bueiros e várias quedas de barreiras. O prefeito de Tunas do Paraná, Jorge Luiz Martins Tavares, esteve ontem em Curitiba para pedir ajuda do governo do Estado e da Assembléia Legislativa. O prejuízo causado pela enchente do ano passado ainda não teve qualquer ressarcimento e a primeira verba que deve ser repassada desde então está para ser liberada. São R$ 75 mil para a reconstrução de bueiros e pontes.
O capitão Leomir Mattos de Souza, da Defesa Civil do Paraná, diz que os municípios estão sendo atendidos, mas que ainda não entregaram os laudos técnicos com o levantamento oficial dos prejuízos. Esses documentos são necessários para reivindicar recursos federais e estaduais. Segundo o capitão Mattos, alguns municípios estimam prejuízos acima dos valores reais.
Meteorologia - O tempo melhorou e deve continuar estável hoje nas regiões mais afetadas pela chuva no Paraná. Em Adrianópolis, seis bairros ainda estão isolados por quedas de barreiras e pontes. O Rio Ribeira baixou quatro metros, mas a balsa que faz a travessia para o município de Ribeira, em São Paulo, só deve ser reativada amanhã, depois de obras nos dois portos de embarque. O ônibus que faz a linha até Curitiba ainda não está circulando. Em Prudentópolis, o tráfego de veículos está impedido em quatro localidades. Em Tunas do Paraná, mais de 50 crianças não estão indo para a escola por causa dos bloqueios nas estradas. O trânsito só deve ser normalizado em 30 dias.

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