Os prefeitos paranaenses vão pedir R$ 70 milhões ao governo do Estado para o transporte escolar. A proposta mínima de negociação com a Secretaria de Estado da Educação foi definida ontem, na primeira reunião do ano da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), em Curitiba.
Cerca de 120 prefeitos participaram do encontro ontem. Segundo o presidente da AMP,
Moacyr Elias Fadel Junior, prefeito de Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), o total necessário para resolver o problema do transporte escolar hoje estaria em torno de R$ 120 milhões. Questionado sobre o porquê de não solicitar o valor ideal integral para então iniciar uma negociação com o governo do Estado, ele afirma que é melhor se manter realista.
O governo estadual adquiriu no início desse ano 1,1 mil ônibus para o transporte escolar que serão distribuídos aos municípios, dos quais 80 já estão em Curitiba estacionados na frente do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico. Nos próximos dias, esses veículos serão entregues aos municípios da Região Metropolitana de Curitiba, do Litoral e do sul do Estado. Segundo o governo, os ônibus atendem às necessidades de transporte escolar com segurança e qualidade e obedecem às normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). As poltronas têm encosto para cabeça e cinto de segurança individual.
Na opinião do prefeito de Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava) Altair José Zampier (PR), a aquisição desses veículos não resolve o problema. "São espelhinhos para índio", comparou. Segundo ele, a solução seria que a Secretaria de Estado da Educação custeasse totalmente o transporte escolar.
O prefeito de Piraquara (Região Metroplitana de Curitiba), Gabriel Samaha (PPS), lembrou que os repasses vem aumentando nos últimos anos. Em 2008, o valor custeado pelo governo estadual para o transporte dos alunos da rede pública foi de R$ 45 milhões. A direção da AMP determinou que seja formada uma comissão de negociação composta pelos presidentes das microrregiões e pela comissão de educação da entidade para discutir a proposta com o governo do Estado.
O design dos ônibus foi feito na Secretaria do Desenvolvimento Urbano (Sedu), que é parceira da Secretaria da Educação no Programa de Transporte Escolar. Desde 2007, a Sedu e a Seed, além do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) fazem um trabalho de racionalização da gestão do transporte escolar que tem como objetivo melhorar o serviço prestado aos estudantes e reduzir os custos operacionais das prefeituras.
No segundo semestre do ano passado teve início o mapeamento de cerca de 13 mil rotas atualmente usadas pelo transporte escolar municipal no Estado. Sessenta e três servidores dos 32 Núcleos Regionais de Educação foram treinados para levantar as informações.
Os condutores dos novos ônibus estão sendo qualificados e requalificados pela Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social. O conteúdo programático dos cursos é composto 80% de assuntos específicos, como direção defensiva, primeiros socorros e manutenção básica do veículo, e 20% voltado a temas gerais, como direitos e deveres do cidadão, legislação trabalhista, saúde e segurança.
Até o fechamento desta edição, a Secretaria da Educação não havia se pronunciado sobre a negociação com os prefeitos.

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