Edson MazzettoPompilho Netto e José Camilo, da Crabi: sem aviões sobre a cabeçaVinte prefeitos do Oeste paranaense estão enviando ao governador Jaime Lerner (PDT) uma lista de reivindicações de interesse comum. A principal é a construção de um aeroporto regional, entre os municípios de Cascavel e Toledo, cujas sedes estão distantes 47 quilômetros.
A reivindicação é de que o aeroporto seja em Sede Alvorada, distrito de Cascavel localizado às margens da BR-467 e exatamente na divisa com Toledo.
O documento aquece uma disputa regional, porque Cascavel tem projeto para seu próprio aeroporto e parte dos recursos garantida nos orçamentos do Estado e da União. A obra está orçada em R$ 20 milhões. A disputa foi deflagrada na semana passada, quando o deputado Duílio Genari (PPB), de Toledo, teve requerimento aprovado na Assembléia Legislativa solicitando intervenção do governo do Estado em favor do aeroporto regional.
O requerimento foi subscrito por 20 deputados, cinco deles do Oeste paranaense. Edgar Bueno (PDT), de Cascavel, não assinou. Segundo o prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), os deputados desconheciam ‘‘a realidade regional’’ e o fato do município ‘‘estar em preparativos para o início das obras de seu aeroporto’’.
Além disso, a reivindicação surgiu em meio a uma polêmica estabelecida na própria cidade, por causa do local escolhido para o projeto.
O município reservou, conforme decreto de número 91, área de 90 alqueires na Fazenda Piquiri, à margem da BR-369 e a 15 quilômetros da cidade. Em 96, a Copel comprou (por R$ 20 milhões) a totalidade dos 2,73 mil alqueires da fazenda, para assentar 235 famílias de agricultores, parte do contingente que terá terras alagadas ao longo do Rio Iguaçu, que será represado em 98 para formar o reservatório da Usina de Salto Caxias.
Copel e agricultores sustentam que nunca foram informados sobre o decreto.
O documento, assinado por Salazar Barreiros em sua primeira gestão como prefeito de Cascavel, desapropriou 90 alqueires da fazenda. A desapropriação não chegou a ser efetivada e nem valores foram definidos com os proprietários. Mesmo assim, o decreto está em vigor.
José Uliano Camilo, coordenador da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que representa as famílias, afirma que elas ‘‘se recusam a conviver com aviões sobre suas cabeças’’.
Segundo Camilo, além de representar risco à segurança das pessoas, os aviões causam ruídos fortes que afetariam criações que os agricultores querem desenvolver no local. ‘‘Nunca nos disseram que teria um aeroporto ali. Se tivessem dito, recusaríamos a área para o reassentamento, o que é direito nosso previsto em acordo com a Copel’’, afirma José Uliano Camilo.
A posição da Crabi provocou reação do prefeito Salazar Barreiros, de políticos e empresários, que acabaram firmando documento encaminhado ao governador praticamente exigindo a manutenção do projeto para a fazenda.

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