O processo de integração dos 29 municípios da Região Metropolitana de Curitiba pode ser visualizado concretamente a partir da interligação das linhas de ônibus, que proporcionam deslocamento para a massa de trabalhadores que circula entre a periferia e a cidade-pólo.
Mas essa é apenas a primeira etapa de um projeto mais amplo, que pretende dotar as cidades de infra-estrutura própria para atender às demandas sociais adequadamente, como observa o prefeito da capital, Cassio Taniguchi, à frente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) há um ano e meio.
DesvantagemPuppi: cidades-satélites empobreciamLouvado pelos prefeitos por suas iniciativas no sentido de encontrar soluções comuns para os problemas, Taniguchi se restringe a cumprir sua responsabilidade como administrador da cidade-pólo.
‘‘Eu acredito que um dos pontos fundamentais foi a confiança mútua entre os prefeitos’’, afirma o prefeito da capital paranaense. ‘‘Sempre havia a desconfiança de que o prefeito da capital queria passar a perna nos vizinhos, porque quer mais vantagens. Hoje essa condição está totalmente superada, uma vez que a própria distribuição das novas indústrias que se instalaram na Região Metropolitana foi feita exatamente fora do município-pólo, porque não tinha sentido nenhum continuar concentrando tudo em Curitiba, quando na verdade o objetivo principal é o fortalecimento dos municípios vizinhos’’, pondera Taniguchi.
Dependência A questão de saúde é exemplar para ilustrar como os municípios periféricos ainda dependem da cidade-pólo. ‘‘O que temos observado é que muitos habitantes da RMC se utilizam dos nossos postos de saúde, que são exatamente o portão de entrada do nosso sistema de saúde, quando deveriam procurar os postos de suas localidades. Isso é uma questão complicada, que tem que ser resolvida logo’’, diz o prefeito.
E que motivo tem o prefeito de Curitiba para pensar também nos seus vizinhos? ‘‘A Região Metropolitana está se tornando uma cidade só. Então, eu não acho que o prefeito de Curitiba está sendo bonzinho ao se preocupar com o desenvolvimento integrado, mas sim vendo que Curitiba começa a sentir os reflexos dos problemas da vizinhança e tem que agir conjuntamente’’, avalia o prefeito de São José dos Pinhais, Luiz Carlos Setim.
O prefeito de Campo Largo, Newton Puppi, concorda com Setim e diz que ‘‘a integração da Região Metropolitana de Curitiba só era falada teoricamente, não se via acontecer’’.
‘‘Havia o egoísmo dos prefeitos da capital - e incluo todos, inclusive o Lerner (ex-prefeito Jaime Lerner). Todos os recursos para a região metropolitana acabavam ficando em Curitiba e por isso as cidades-satélites ficaram empobrecidas. É por isso que Curitiba tem uma porção de parques. Mas agora o Cassio vem com uma visão aberta, porque a integração é importante até para Curitiba não sofrer mais com os problemas gerados pelas cidades vizinhas’’, afirma.

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