Prefeitos explicam repasses de AIHs
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de junho de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
Segundo Paulo Gonçalves, prefeito de Campina da Lagoa e Odilon Gonçalves, prefeito de Roncador, os hospitais da família são melhores que os concorrentes
Os prefeitos de Roncador, Odilon Andreoli Gonçalves (PSDB), e de Campina da Lagoa, Paulo Andreoli Gonçalves (PSDB), que são médicos e irmãos, disseram ontem à Folha que os hospitais mantidos pelas famílias deles nos dois municípios são melhores que os concorrentes e, por isso, recebem praticamente todas as Autorizações para Internações Hospitalares (AIHs) enviadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e distribuídas pelas prefeituras.
Reportagem publicada ontem pela Folha revelou que em Roncador o hospital da família Gonçalves fica com todas as 97 AIHs mensais do município, apesar da cidade contar com um outro hospital credenciado pelo SUS. Em Campina da Lagoa, o hospital da família dos prefeitos fica com 89 das 104 AIHs do município, deixando apenas 15 internações para o estabelecimento concorrente. Os hospitais prejudicados correm o risco de serem fechados por falta de recursos.
Odilon Gonçalves diz que o Hospital Regional, de sua família, mantém cinco médicos enquanto a Policlínica São Carlos, não tem nenhum. Eles têm um só médico que atende em três cidades. Isso não existe, ressalta o prefeito de Roncador, que é adversário político do médico Jorge Fukushima, dono do hospital concorrente. Odilon diz ainda que o hospital de Fukushima precisa se adequar às normas da saúde pública. Como querem internar um paciente sem médico?.
Paulo Gonçalves, prefeito de Campina da Lagoa, usa uma explicação semelhante. Nosso hospital tem cinco médicos e o outro só tem um, ressalta. Ele conta que dividiviu as 104 AIHs mensais do municípios pelos seis médicos que atendem nos hospitais. É por isso que um hospital ficou com 89 AIHs e outro com 15, explica. Segundo ele, o hospital Nossa Senhora das Graças precisa contratar mais médicos para ter direito a mais internações do SUS.
AIH não é um brinde que o hospital ganha, frisa Paulo Gonçalves. É um dinheiro que a gente recebe para atender um paciente a para manter o estabelecimento. Tanto Paulo como Odilon dizem que foram perseguidos em administrações anteriores e que seus hospitais ficaram sem AIHs e chegaram a ser interditados várias vezes. Minha família investiu mais de R$ 1 milhão em um novo hospital em Roncador. Não ficamos parados, conta Odilon.
Os irmãos-médicos também contam que sempre atenderam de graça, mesmo quando estavam sem receber autorizações para internações do SUS. Virei prefeito porque fazia as coisas de graça, admite Paulo Gonçalves. Os dois também contam que, mesmo na prefeitura, continuam atendendo a população nos hospitais, principalmente em cirurgias. Graças a esse trabalho, estou no segundo mandato em menos de 10 anos na cidade, frisa Odilon.
Os donos dos hospitais prejudicados com a distribuição das AIHs contestam a versão dos prefeitos. Jorge Fukushima, de Roncador, diz que só demitiu médicos e funcionários porque está sem receber as AIHs há mais de quatro anos. Antônio César Diniz, de Campina da Lagoa, também diz que teve que reestruturar o hospital após deixar de receber 51 AIHS por mês a partir de janeiro deste ano.


