Prefeitos do Oeste vencem dificuldades
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoDescentralizaçãoPrefeito Salazar Barreiros, com o secretário Arnaldo Curioni, despachando em um bairro da cidade Antes, volumosas dívidas com fornecedores e funcionalismo em pé de guerra com salários atrasados em vários meses. Hoje, salários sempre em dia, a maior parte das contas externas paga e alguma condição para investimentos. Estas situações, comuns a algumas outras prefeituras paranaenses que já superam a crise em que estiveram mergulhadas, podem ser conferidas em dois dos principais municípios do Oeste do Estado: Cascavel e Toledo, cujos administradores acreditam que hoje mantêm as finanças sob controle.
Dívidas de R$ 16 milhões com fornecedores, vencidas e empenhadas (portanto apenas à espera de pagamento) e R$ 4,5 milhões com folhas salariais. Este era o quadro das finanças de Cascavel na passagem de comando da administração municipal no início do ano passado. O prefeito Salazar Barreiros (PPB) afirma que só agora está contornando os principais problemas financeiros, o que lhe permitirá ações mais objetivas do interesse da comunidade, inclusive através de um programa de descentralização administrativa.
Com o programa, a prefeitura define no ato reivindicações possíveis de ser atendidas e inicia as ações imediatamente. Durante seis meses, a administração municipal submeteu-se a desconto direto na fonte, do ICMS principalmente, para quitar empréstimo bancário para pagar os salários atrasados de três meses e mais o 13º e férias. Hoje, os contracheques, de cerca de R$ 1,9 mil, são liberados até mesmo antes de vencer o mês. Dos R$ 16 milhões devidos a fornecedores, restam apenas R$ 4 milhões.
Salazar diz que a receita da prefeitura não é diferente de antes, oscilando mensalmente entre R$ 3,7 milhões e R$ 4,1 milhões. O que teria mudado é a forma de gerenciamento dos recursos, explica o secretário de Finanças, Arnaldo Curioni. É preciso medir cada real que entra e sai, diz. Até a conta do telefone da prefeitura é vigiada: baixou de R$ 45 mil para R$ 15 mil ao mês. Salazar Barreiros e Arnaldo Curioni preferem deixar de lado críticas diretas à administração anterior, como faziam no início do governo.
Em Toledo, não se tem repetido uma cena que praticamente fazia parte do cotidiano: servidores em protestos em praça pública por não receberem salários. O prefeito Derli Donin (PPB) assumiu com R$ 5,2 milhões de dívidas com o funcionalismo, referentes a seis meses, mais 13º e parte das férias. Depois de quitar os atrasados com demora, provocando novas queixas, a prefeitura hoje libera o pagamento em dia para os 1.200 servidores. Dívidas de curto prazo com fornecedores de R$ 11,3 milhões estão reduzidas agora para R$ 6 milhões.
Segundo cálculos do prefeito, antes do início de sua administração, se todos os bens patrimoniais do Município fossem vendidos, ainda restaria um déficit de R$ 400 mil. Hoje, haveria superávit de R$ 6,8 mil. O equilíbrio entre receita e gastos, além de outras providências, explicariam a nova situação. Em 1996, a arrecadação foi de R$ 32 milhões e os gastos, de R$ 34 milhões; em 97, R$ 30 milhões e R$ 27 milhões, respectivamente. A arrecadação mensal está agora na faixa de R$ 2 milhões a R$ 2,6 milhões.
Nas contas gerais da prefeitura, nos seis primeiros anos da década, o déficit acumulado chegou a R$ 16 milhões. Em 97, superávit de R$ 3,5 milhões. No ano passado, a prefeitura conseguiu investir R$ 3,6 milhões, R$ 300 mil acima do investido no ano anterior. Já estamos respirando e dá para fazer investimentos, afirma Donin. Administradores municipais devem administrar e não deixar rolar os negócios e as contas, porque depois a situação se torna insustentável como em qualquer empresa, diz.


