Maigue Gueths
De Curitiba
Comerciantes, industriais e prefeitos de sete municípios do litoral paranaense apresentaram ontem à superintendente da Secretaria de Estado da Educação, Zélia Marochi, proposta de mudança do calendário escolar para o próximo ano. Eles reivindicam que as férias sejam mais longas, estendendo-se, principalmente, no mês de fevereiro, mês mais seco do verão e de maior turismo nas praias do Estado. As duas partes não chegaram a um acordo. Enquanto a secretaria pretende iniciar as aulas entre 7 e 14 de fevereiro, os representantes do litoral querem que as aulas comecem dia 23 de fevereiro. A secretaria ficou de estudar a proposta e apresentar uma resposta na próxima semana.
Há três anos que os prefeitos e a Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Litoral do Paraná vem buscando, junto ao governo do Estado, a mudança no calendário escolar. Zilda Marochi vê dificuldades em implantar a proposta apresentada. Ela acredita que o novo calendário pode exigir reposição de aulas aos sábados, o que aumentaria os custos da secretaria com pagamento de horas-extras aos professores, além de não deixar espaço para qualquer alteração de emergência nas aulas. Ela também argumenta sobre a necessidade de se discutir a nova proposta com todos os municípios.
Estiveram presentes na reunião representantes de Paranaguá, Morretes, Antoniana, Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba e Guaraqueçaba. A proposta apresentada prevê início das aulas dia 23 de fevereiro, férias de 24 a 30 de julho, e aulas no 2ª semestre de 31 de julho a 21 de dezembro. Descontando os feriados, a proposta contempla os 200 dias e 800 horas de aula obrigatórios por lei. No geral, eles reivindicam períodos mais longos de férias, de modo que o reinício das aulas sempre ocorra após o carnaval, quando a festa ocorrer no mês de fevereiro. Não é este o caso do próximo ano, quando o carnaval será em 7 de março.
‘‘Para o litoral sobreviver, nós precisamos desse aumento de arrecadação nos meses de verão’’, disse o secretário de Turismo de Morretes, Rodolfo Xavier Neto. Dados da Paraná Turismo mostram que cerca de 1,5 milhão de pessoas frequentam o litoral mensalmente nos meses de verão, com uma estimativa de gasto per capita diário de R$ 23,00, o que resulta numa arrecadação total diária de R$ 34,5 milhões. ‘‘A antecipação das aulas em dez dias em fevereiro significa a perda de R$ 345 milhões para o litoral. E este dinheiro faz falta’’, afirmou José Carlos Weil, diretor financeiro da Associação Comercial de Guaratuba e representante das associações do litoral.

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