Prefeitos discordam sobre déficit
O prefeito Cássio Taniguchi encontrou ontem uma forma sutil de provocar o ex-prefeito Rafael Greca, deputado eleito pelo PFL. No fórum Como se governa Curitiba, a prefeitura apresentou uma fórmula para vencer a dívida de R$ 134 milhões, herdada pela atual administração. Greca contestou, dizendo que investimento em obras não é déficit e que a dívida deixada por ele não passava de R$ 20 milhões.
A discórdia surgiu por causa de um fórum que reúne técnicos em administração pública de todo o País. Ontem as medidas adotadas pela Prefeitura de Curitiba foram apresentadas pela secretária de Finanças, Dinorah Nogara. Uma das medidas citadas foi a de deixar de contratar 1.600 funcionários ao ano, economizando R$ 30 milhões nos últimos dois anos. O número de imóveis alugados caiu de 54 para 43, com uma economia de R$ 600 mil ao ano. Nos últimos 6 meses conseguimos envolver todas as secretarias no esforço de estabelecer prioridades, o que é vital para a saúde financeira do município.
A secretária enfatizou que se não houvesse equilíbrio entre receita e despesa, o município não conseguiria novos financiamentos para grandes projetos.
Arquivo FolhaVisão a longo prazoO ex-prefeito Rafael Greca não gostou. Disse que estes assuntos devem ser tratados com seriedade por qualquer governo de continuidade ou não e que o atual programa de obras é sustentado pela visão a longo prazo de sua equipeCom criatividade, temos buscado garantir a manutenção dos programas existentes e, ao mesmo tempo, assegurar a execução do Plano de Governo. Ela citou as terceirizações, as parcerias com a comunidade, a descentralização de recursos e as organizações sociais entre as medidas adotadas para enfrentar as dificuldades financeiras. Na avaliação da secretária, outra importante medida foi a criação, há 2 meses, do Comitê de Ajuste Fiscal.
A resposta ao material divulgado pela prefeitura veio rapidamente. O ex-prefeito Rafael Greca enviou às redações uma prestação de contas. Na dívida de R$ 20 milhões, ele relacionou as contas de empreiteiras, contrapartidas do BID, Prosan e fornecedores. As dívidas com vencimento até março do ano seguinte à sua saída (97) eram de R$ 40 milhões e a arrecadação era de R$ 56 milhões por mês, segundo ele. No caso do BID - Programa Pró-Bairros, de US$ 120 milhões para pagamento em 16 anos - houve autorização do Senado e Câmara Municipal. Greca disse também que o atual programa de obras da prefeitura é sustentado até hoje pela visão a longo prazo de sua equipe.
Qualquer governo, seja ou não de continuidade de um grupo político, deve tratar os investimentos de recursos públicos com seriedade, completou.Arquivo FolhaOrdem na casaA equipe de Cássio Taniguchi deu uma receita criativa, para técnicos em adminitração de todo o País, de como se equilibrar as contas depois de herdar uma dívida de R$ 134 milhões do antecessorMônica Kaseker





