Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) determinou, ontem de manhã, durante reunião da Operação Mãos Limpas, que a Secretaria de Estado de Segurança Pública providencie o imediato afastamento de chefias que não estejam dando sequência a decisões tomadas em encontros anteriores. A determinação foi anunciada depois que prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba reclamaram que medidas definidas nas outras reuniões não foram implantadas.
No encontro, os prefeitos de Campina Grande do Sul, Nelise Cristiane Dalprá, e de Itaperuçu, José da Costa França, reclamaram que a Polícia Militar de seus municípios não recebeu mais viaturas e motocicletas. Em Campina Grande do Sul também não houve troca de pessoal que atua na área da segurança, conforme solicitado pela prefeita.
''Em Campina Grande do Sul não aconteceu nada de bom, porque não recebemos nada do que foi prometido. Mas também não aconteceu nada de ruim. Só bandidos continuam matando bandidos'', ironizou a prefeita. Questionados pelo governador sobre o porquê das decisões não terem sido cumpridas, o secretário de Segurança Luiz Fernando Delazari e o comandante da Polícia Militar (PM), coronel David Pancotti, afirmaram que todas as determinações foram repassadas por eles, e que em função dos trâmites burocráticos devem estar retidas.
O prefeito de Piraquara, Gabriel José Samarra, manifestou sua preocupação sobre a prestação de contas pelo município pelo repasse de verbas à PM, uma vez que não existe convênio nesse sentido entre as cidades e o Estado. Outros prefeitos afirmaram que viviam a mesma situação em suas cidades. Os PMs, segundo eles, cosntumam recorrer às prefeituras solicitando verbas para alimentação e manutenção de veículos.
Requião ficou irritado com a situação. ''Isso é inconstitucional, não pode ser feito. O orçamento prevê verbas para esse fim e não é pouco. Se estão pedindo mais dinheiro aos prefeitos é porque estão embolsando esse dinheiro'', disse o governador. Ele afirmou, ainda, que se sentia ''triste'' com a burocracia e vícios da corporação, que impedem que as decisões cheguem na ponta. Para ele, caso não realizasse essas reuniões, ele não saberia o que está ocorrendo.
O prefeito de Curitiba, Beto Richa, por sua vez, elogiou a ação da secretaria, que recentemente fez uma grande operação na Vila das Torres. ''Foi uma das ações integradas da prefeitura com a secretaria, e muitas outras serão feitas ainda com essa sintonia'', disse. Segundo ele, logo após a ação policial a prefeitura iniciou atividades de ação social na área.

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