Prefeitos beneficiam hospitais da família
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segunda-feira, 18 de junho de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
Os prefeitos de Roncador, Odilon Andreoli Gonçalves (PSDB), e de Campina da Lagoa, Paulo Andreoli Gonçalves (PSDB), estão beneficiando seus próprios hospitais com os repasses das Autorizações para Internações Hospitalares (AIH) do Sistema Único de Sa© úde (SUS). Os dois são irmãos, médicos e donos de hospitais nessas cidades. Odilon é também presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Campo Mourão (Cis-Comcam), que reúne 25 municípios.
Em Roncador, as 97 AIHs mensais são liberadas para o Hospital Regional, da família Gonçalves. O outro hospital da cidade, a Policlínica São Carlos, não recebe mais nenhuma AIH desde que Odilon Gonçalves assumiu a prefeitura, em janeiro de 1997. Em Campina da Lagoa, das 104 AIHs mensais, 89 ficam com o Hospital Irmãos Vida, também da família Gonçalves. O outro hospital do município, o Nossa Senhora das Graças, recebe apenas 15 autorizações.
Estou tentando manter as portas abertas para não perder o credenciamento do SUS, diz o médico Jorge Fukushima, dono da Policlínica São Carlos, com 30 leitos, em Roncador. Ele afirma que já demitiu cinco dos 12 funcionários que tinha e que vem tendo prejuízo mensal de R$ 2 mil. O último médico plantonista foi dispensado em dezembro. Não tinha mais como pagá-lo, conta. Para sobreviver, Fukushima vem atendendo como médico em cidades vizinhas.
Jorge Fukushima destaca que antes de Odilon Gonçalves se eleger, recebia 60% das AIHs do município e o hospital do prefeito ficava com 40%. Em 1996, os dois donos de hospitais foram adversários na disputa pela prefeitura. Odilon venceu. No ano passado, Fukushima voltou a enfrentar Odilon, dessa vez como candidato a vice-prefeito. Perdeu de novo. Apesar de ter ganho a eleição, ele não tem a unanimidade da população, queixa-se o médico derrotado.
Em Campina da Lagoa, o hospital Nossa Senhora das Graças, que até dezembro recebia 66 AIHs por mês, passou a receber 15 a partir deste ano. Tivemos uma queda grande nos rendimentos e existe a tendência disso inviabilizar nossa sobrevivência, diz o médico proprietário do estabelecimento, Antônio César Diniz. Ele calcula um prejuízo mensal de R$ 14,3 mil. O preço médio de uma AIH é de R$ 281,00. O hospital dele tem 37 leitos credenciados.
Diniz está em Campina da Lagoa desde 1978 e nunca disputou cargos públicos, mas admite que pertence a um grupo político contrário ao do prefeito. Segundo ele, até o ano passado seu hospital recebia 66 AIHs mensais, contra 38 que eram repassadas ao hospital do atual prefeito. Nossa estrutura era bem maior e, proporcionalmente, ele até recebia mais que gente.


