Prefeitos apóiam reabertura da antiga estrada do Colono
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de maio de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Os manifestantes que reabriram a antiga Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, ligando as regiões Oeste e Sudoeste do Estado, na quinta-feira passada, ganharam reforço extra ontem com a adesão de prefeitos de quase todos os municípios das duas regiões. A estrada, entre Serranópolis do Iguaçu e Capanema, foi fechada há mais de dez anos pela Justiça porque colocava em risco a fauna e a flora do Parque.
Apesar da decisão da juíza substituta da 1ª Vara de Justiça Federal, Cristina Rocha, na sexta-feira passada, em manter a liminar que fechava a estrada, os manifestantes permanecem no local. Segundo o deputado estadual Irineu Colombo (PT), um dos intermediadores das negociações entre agricultores e Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cerca de 1.500 pessoas permanecem acampadas no local.
No sábado à tarde, a Polícia Federal informou aos líderes do movimento sobre a decisão da Justiça, mas os manifestantes se recusaram a sair da área. Várias barracas foram montadas nas duas cabeceiras da estrada. As roçadas já terminaram e a estrada está totalmente livre. Nós nos comprometemos a não devastar a área e preservar a fauna enquanto houver a manifestação, disse Colombo.
No sábado, foi liberada a passagem de veículos e, segundo os líderes do movimento, pelo menos 15 mil pessoas passaram pelo local. Para informar sobre o movimento da manifestação, foi montada uma emissora de rádio comunitária, a Rádio Parque, que está sendo sintonizada na região em 96,5 MHz na faixa de FM.
A movimentação sobre a reabertura da estrada se transformou em festa na região, levando várias famílias a visitarem o parque. Apesar de morar em Serranópolis há 15 anos, eu ainda não conhecia a estrada. Ela é linda, afirmou a estudante Luiza Patussi, que estava no local.
Várias barracas vendiam refrigerantes, pastéis e churrasco. A coleta de lixo está sendo rigorosa. Diversas lixeiras foram improvisadas em alguns pontos da estrada e foi proibido o uso de cigarros.
Na cabeceira da estrada, apenas dois policiais do Pelotão de Polícia Florestal acompanhavam o movimento de visitantes e manifestantes. A Justiça manteve a decisão e o Parque deve ficar fechado. No entanto, o Ibama não tem meios de retirar os manifestantes e ainda esperamos uma decisão do comando da polícia na região, informou o diretor do Parque Nacional, Jului Gonchoroski.
O deputado estadual Caíto Quintana (PMDB) deve pedir hoje a abertura de uma Comissão Especial da Assembléia Legislativa para intermediar a negociação entre o Ibama e os manifestantes. Ontem, o presidente da Assembléia Legislativa, Anibal Khury (PTB), solicitou um relatório da situação ao deputado Colombo. O ato público pró-reabertura da estrada, marcado há mais de um mês para a próxima terça-feira, vai ocorrer mesmo com a decisão dos agricultores da região em abrir a estrada à força.
A Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu e que abriga as Cataratas foi fechada em 1.986 por decisão da Justiça através de pedido da Organização das Nações Unidas (ONU). O parque é intangível e declarado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A reserva florestal do Parque Nacional atinge 170.086 hectares. Na floresta vivem animais ameaçados de extinção e flora variada.
Devido a dificuldades na ligação entre as regiões Oeste e Sudoeste do Estado, imigrantes do Rio Grande do Sul e Santa Catarina abriram a Estrada do Colono na década de 20. Quase 60 anos depois, foi proibida a circulação nos 17,6 quilômetros de estrada. Com essa decisão da Justiça, a distância entre Capanema (Sudoeste) e Serranópolis (Oeste) aumentou em mais de 120 quilômetros.
Na quinta-feira da semana passada, mesmo com um ato público pró-reabertura marcado para a próxima terça-feira, agricultores da região resolveram roçar a estrada para forçar uma decisão.


