Prefeito vai fazer consulta sobre uso do aterro do Igapó
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Célia Baroni 
O relatório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre as possibilidades de revitalização e ocupação do aterro do Igapó 2, no Jardim Maringá (região central de Londrina) não convenceu o prefeito Antonio Belinati de que a área é de preservação ambiental. O relatório do IAP não deixou claro se, depois do aterro, a área continua sendo fundo de vale, alega. Belinati informou ontem em entrevista à Folha que vai deixar a comunidade organizada e entidades de Londrina decidirem o destino do aterro. Ele havia afirmado, anteriormente, que tomaria como base o laudo do IAP para definir o que fazer com o aterro.
O prefeito quer que a comunidade se pronuncie - a favor ou contra - sobre a lei que propõe a doação do aterro à iniciativa privada para construção de um centro de lazer e turismo. Vamos nos curvar à decisão da comunidade, garantiu. Belinati ainda não definiu a forma como vai ser feita a consulta à comunidade organizada. Estamos abrindo o debate e os vários setores já podem manifestar sua opinião, disse.
As manifestações contra a aprovação do projeto pela Câmara e sanção da lei pelo Executivo começaram em agosto. O primeiro movimento concreto foi realizado pela escola A Nossa Escolha- Seta, que organizou um abaixo assinado com 700 assinaturas e entregou o documento ao prefeito. O movimento ganhou força com a adesão do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Associação de Moradores do Jardim Maringá e imediações e outros segmentos. Em uma pesquisa realizada pela Folha, via Internet, 71% dos participantes se posicionaram contra a lei que dispõe do aterro para doação à iniciativa privada. A pesquisa, realizada entre os dias 16 e 23 de setembro, obteve 210 respostas. A vereadora Elza Correia (sem partido), única a votar contra o projeto, ofereceu denúncia contra o projeto à promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Antes disto, a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach, já havia pedido que o IAP fizesse um estudo e elaborasse um relatório sobre o aterro.
Até agora, todos os segmentos que se posicionaram contra a lei se manifestaram a favor de que a prefeitura reconheça o aterro como a área de preservação amabiental e revitalize o espaço. O aterro tem aproximadamente 80 mil metros quadrados e foi avaliado, por imobiliaristas, em cerca de R$ 3 milhões.
Em correspondência enviada ao prefeito Antonio Belinati, ontem, a promotora Maria Lúcia Reichenbach afirmou que não mencionou a expressão notificação para tentar agendar reunião com o prefeito para discutir o aterro, como noticiou o caderno Folha Londrina ontem.


