Representantes das cerca de 390 famílias que ocupam uma área de 23,5 alqueires em Ponta Grossa, desde a quarta-feira da semana passada, participaram ontem de uma reunião com o prefeito Péricles de Holleben Mello (PT). A intenção dos ocupantes era obter da prefeitura uma posição sobre a possibilidade de desapropriação da área para fazer um loteamento no local.
A área invadida pertence à Beatriz de Araújo e sua mãe, Maria Ivone. As duas mulheres moram em Curitiba. A advogada da família, Alessandra Cunha Pereira, tentou participar da reunião, mas, segundo ela, o prefeito não permitiu. ''Agora só negociamos com ele (Péricles Mello), no meu escritório'', disse a advogada ao deixar o gabinete do prefeito.
Segundo Alessandra, a negociação entre a família e os invasores estava alcançando resultados positivos. A família aceitava vender a área por R$ 1,00 o metro quadrado, embora partes do terreno tenha valor maior. Os invasores, por sua vez, concordaram que esse é um valor justo. Cada terreno custaria R$ 250,00, valor que eles consideram possível pagar.
No entanto, eles queriam saber o que a prefeitura poderia fazer para agilizar o processo. ''Acredito que a desapropriação seja a saída mais viável porque a proprietária não quer se envolver na organização de um loteamento'', explicou a advogada.
No início da noite, a assessoria da prefeitura municipal revelou que não houve acordo. O prefeito Péricles Mello - que novamente não atendeu a reportagem da Folha - teria garantido aos invasores que está estudando a compra de uma área para assentá-los, que pode não ser aquela. Nesta quarta-feira o prefeito deve voltar a reunir-se com representantes da proprietária, para nova rodada de negociações. O preço está na base do problema: a proprietária quer vender o terreno à razão de R$ 1,00 o metro quadrado, mas técnicos do município acham o valor exagerado. Segundo avaliação da Secretaria de Planejamento, uma pequena parte da área vale R$ 0,62 o metro quadrado, e a maior parte, apenas R$ 0,55. A explicação seria a existência de ''muitos troncos de eucaliptos''. Apenas cerca de 30 metros quadrados poderiam ser remunerados ao valor pedido pela proprietária.

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