Prefeito recua e proíbe Grito da Terra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de abril de 1997
Giovani Ferreira 
Correspondente
PONTA GROSSA - A prefeitura de Ponta Grossa negou, em nota oficial divulgada ontem, a cessão de um espaço público, no centro da cidade, para a realização do Grito da Terra, movimento organizado pelos trabalhadores rurais que este ano será desenvolvido em várias regiões do Estado. Promovido pelos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de toda a região dos Campos Gerais, a manifestação tem o apoio da regional do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Ponta Grossa, que está participando das negociações para a viabilizar um local.
Os integrantes do MST estiveram reunidos com o prefeito Jocelito Canto (PSDB) na última sexta-feira, quando revelaram a intenção de realização do Grito da Terra no Complexo Ambiental Governador Manoel Ribas, centro de Ponta Grossa. A manifestação aconteceria no próximo mês.
Depois de ouvir os segmentos organizados da sociedade ponta-grossense, em especial os órgãos responsáveis pela segurança no município, a prefeitura resolveu não acolher qualquer pretensão dos manifestantes em realizar o Grito da Terra na área central da cidade. Na nota oficial a administração municipal alega que a manifestação poderia causar um incontornável transtorno para a normalidade do sistema viário da cidade.
A prefeitura reconhece o direito de livre associação e manifestação do movimento, mas se posiciona contra a utilização do Complexo Ambiental, entendendo que esse é um local impróprio, que poderia prejudicar o dia-a-dia do centro de Ponta Grossa. O município ofereceu uma área fora da zona urbana, próximo ao centro de eventos.
Sebastião Alves Galvão, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Telêmaco Borba, que está a frente da organização do evento, disse que irá tentar uma nova negociação com a prefeitura de Ponta Grossa, a fim de que a manifestação possa acontecer em uma área dentro a cidade.


