Prefeito quer ver promessas cumpridas
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Passados quatro dias do furacão que destruiu grande parte da cidade de Nova Laranjeiras (110 quilômetros a leste de Cascavel) e matou quatro pessoas, além de ferir dezenas, a expectativa das autoridades locais é de que a solidariedade regional e a promessa de apoio do Estado sejam mantidas. Só assim poderemos tentar reconstruir a cidade, disse ontem o prefeito José Lineu Gomes (PMDB).
Ele fez a afirmação por telefone, de linha emergencial instalada pela Telepar, com número não divulgado para evitar congestionamento.
O sistema telefônico permanece desativado desde a tarde de sexta-feira e a energia elétrica atende metade da cidade.
Depois do socorro a feridos e do abrigo provisório e alimentação aos que perderam suas casas, a Defesa Civil está deflagrando a terceira fase de suas ações, segundo seu comandante, o coronel Luiz Antonio Borges Vieira. Estas ações, segundo ele, pretendem tentar dar vida normal às pessoas.
Ontem foi iniciado o cadastramento de todos os proprietários que tiveram casas ou estabelecimentos comerciais atingidos, para que possa ser iniciada a reconstrução.
O prefeito José Lineu Gomes disse que ainda não era possível informar números definitivos sobre a destruição. Tenho medo de fazer previsões, para não exagerar ou minimizar os problemas, observou.
O próprio prefeito, sua esposa e os dois filhos continuam abrigados na casa da mãe de Gomes, no vilarejo Rio Bananas, a 30 quilômetros da cidade.
A residência da família, de 130 metros quadrados, foi semidestruída. A estimativa preliminar da prefeitura era de que das cerca de 600 edificações que existiam na cidade (incluindo estabelecimentos comerciais), 329 casas tiveram perdas totais e 150 poderiam ser recuperadas.
Inicialmente, havia a perspectiva de que fossem construídas casas moduladas de 60 metros quadrados, com sanitário mas sem divisões, utilizando recursos do governo do Estado e material de construção doado.
Ontem, porém, o prefeito disse que o tamanho das casas poderá ser dimensionado de acordo com as necessidades de cada família, a partir de uma metragem máxima liberada. Material de construção doado por cidades de toda a região serão juntados ao madeirame que puder ser reaproveitado dos escombros, que ainda estão sendo retirados.
As próprias famílias vão ofertar mão-de-obra - um trabalhador por família. Cada trabalhador receberá cerca de R$ 6,00 ao dia. Serão formados 80 grupos de seis trabalhadores.
A intenção de instalar barracas do Exército e Polícia Militar para abrigar famílias levadas para a cidade de Laranjeiras do Sul, a 18 quilômetros, e instaladas em escolas foi descartada. A Defesa Civil teme problemas com higiene e doenças transmissíveis nos acampamentos.
A nova opção é acelerar reparos em um ginásio de esportes e em escolas, para abrigar as famílias principalmente à noite. Por enquanto, não faltam alimentos ou remédios, fornecidos pelo Estado e comunidades vizinhas.


